quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A Pantera Cor de Rosa: comemorando 50 Anos de desenhos animados com um Top 10


2014 está a acabar, e pode parecer que estou a comemorar o 50º aniversário das curtas-metragens animadas d'A Pantera Cor de Rosa muito tarde; na realidade foi no dia 18 de Dezembro de 1964, há cinquenta anos atrás, que o personagem teve a sua primeira curta-metragem The Pink Phink no grande ecrã, e decidi adiar este artigo o mais tarde possível para coincidir com a data. Na realidade não soube da data da estreia do filme até há dois dias atrás, por isso foi uma bela coincidência.

A minha apreciação pela Pantera Cor de Rosa veio do meu pai, que nasceu no mesmo ano em que a série faz a sua estreia, e tal como grande parte das séries animadas que via em miúdo, herdou essa sua paixão a mim, com as dezenas de cassetes de vídeo que temos guardadas em casa.
Eu não nenhum "expert" nos filmes de Blake Edwards, onde o personagem apareceu pela primeira vez, no entanto estes não são necessários para poder compreender o humor destas curtas-metragens pois estas tem pouca relação com os filmes protagonizados pelo Inspector Closeau.

Este Top 10 depende em três factores: a forma como a curta-metragem está conservada nos dias de hoje, o tipo de humor desta e a sua narrativa.

No título de cada episódio está uma ligação ao mesmo no YouTube, pois a Pantera Cor de Rosa tem um canal oficial que partilha todos os 124 episódios originais da série, publicados entre 1964 e 1980.

#10 - Pink Ice (1965)

Começamos a contagem decrescente com um dos dois filmes animados (sendo Sink Pink o outro filme) onde a Pantera Cor de Rosa fala, dublado - tal como os brasileiros dizem - pelo comediante Rich Little. Nesta história o protagonista trabalha na sua própria mina de diamantes no continente africano, e é constantemente roubado por dois exploradores britânicos chamados Deveraux and Hoskins; Rich Little também dá voz a estes dois personagens. A Pantera vinga-se com as artimanhas do costume: explosivos, canhões, ilusões ópticas, por aí em diante.
Apesar de não ser a curta-metragem mais divertida das 124 que existem, este filme tem sucesso em dar voz a um personagem praticamente mudo, no entanto Friz Freleng decidiu não voltar a utilizar actores de voz pois estes exigiam um ordenado imenso.

#9 - Pink Outs (1967)

Pink Outs é uma curta-metragem única na série, pois esta não possui nenhuma narrativa, em vez disso temos uma colecção de sketchs com gags surreais e até absurdos, tais como a Pantera Cor de Rosa a tomar banhos de sol dentro de uma ampulheta ou ela a comer o cenário, literalmente; os sketchs acabam com um fade out, uma técnica usada na produção de um filme em que faz-se uma transição entre a imagem e um fundo preto, só que neste caso, o fundo é sempre cor-de-rosa, daí o título Pink Outs. 
Estes sketchs foram mais tarde utilizados como bumpers, pequenos intervalos dentro de um filme ou uma série de televisão, no programa The Pink Panther Show, transmitido pela NBC entre 1969 e 1980. Apenas o sketch do bunker não foi utilizado por motivos óbvios.

#8 - Pink Plasma (1975)

Este episódio é interessante pois utiliza a banda sonora usada em outro filme da Pantera Cor de Rosa chamado Pink Panic, produzido oito anos antes, cuja história passa-se numa cidade fantasma. Pink Plasma passa-se num castelo amaldiçoado, e por incrível que pareça, a música combina quase na perfeição com a história.
A Pantera Cor de Rosa está perdido na Transilvânia e anda à procura de um lugar para passar a noite; ela descobre um castelo onde mora um vampiro desajeitado, com um foço infestado com tubarões e um monstro invisível que adora usar sapatos dentro do castelo. O filme está repleto de gags assustadoramente divertidos, baseados em vários famosos clichés vindos de filmes de horror clássicos; vale a pena mencionar que a Pantera Cor de Rosa enterra a campa do vampiro, com ele lá dentro adormecido, e os ratos e as aranhas do castelo observam o "funeral" com um ar de espanto.

#7 - Pink DaVinci (1975)

É possível que Pink DaVinci seja uma das últimas grandes curtas-metragens da Pantera Cor de Rosa antes da transição do grande ecrã para a televisão. A História é completamente adulterada neste filme, onde a Pantera supostamente é a autora do famoso sorriso da Mona Lisa. Leonardo DaVinci prefere ver a sua obra-prima com um ar de desgosto e o protagonista tenta melhorar o quadro, apesar de o pintor não gostar da ideia. DaVinci é perseguido e tenta manter a sua visão do quadro até ao ponto de perder a cabeça e de ser preso por "inclinar" a Torre de Pisa. Tal como Pink Plasma, Pink DaVinci está cheio de gags brilhantes.

#6 - We Give Pink Stamps (1965)

O terceiro filme animado da série. Nesta curta, a Pantera vive dentro de um centro comercial, onde ela gosta de explorar as lojas quando estas estão fechadas e ninguém está por perto. Ninguém, excepto o Homenzinho, que aparece neste episódio como empregado do centro comercial. Vários gags vêm do nada, tais como o Homenzinho a pensar que um tapete de tigre está vivo, a Pantera com um buraco na barriga por passar a ferro em demasia, ou até mesmo o tapete de tigre a ganhar vida pois sentiu-se atraído pela Pantera.

#5 - Slink Pink (1969)

Neste filme, a Pantera decide entrar dentro de uma mansão para fugir ao frio de uma noite de Inverno, e é apenas dento da mansão que se apercebe que o dono desta é de um caçador com sucesso. O caçador tem um cão que é fiel ao seu dono, talvez fiel de mais. Esta curta-metragem é famosa pelo gag da Pantera disfarçada de animal empalhado, enganando o caçador; e por causa disso o cão leva sempre com as culpas, quer seja pela Pantera ter comido o jantar do caçador, quer seja por ele disparar uma espingarda ao dono pois este pensava que era a Pantera.

#4 - Dial "P" for Pink (1965)

Um ladrão tenta roubar um cofre, sem saber que este tem uma pantera guardada lá dentro. A história não podia ser mais simples to que esta, no entanto este está repleto de gags hilariantes, já para não falar na banda sonora do filme Um Tiro às Escuras, a sequela do primeiro filme da Pantera Cor de Rosa, que combina na perfeição com o ambiente sinistro e simultaneamente cómico.




#3 - Pink Panic (1967)

Este título é familiar? É porque tem a mesma banda sonora utilizada na curta-metragem Pink Plasma, produzida anos mais tarde. Desta vez a Pantera chega a uma cidade chamada Dead Dog, durante uma tempestade. O hotel da cidade está vazio, com apenas um fantasma e um esqueleto como anfitriões. Temos perseguições, duelos de pistolas, trambolhões e muito mais neste conto assustador. Para ser sincero quando eu era muito novo eu até ria de medo na parte em que a Pantera e o esqueleto dormem na cama juntos.


#2 - Extinct Pink (1969)

Por muito pouco eu não colocava este filme em primeiro lugar. Como o fanático por dinossauros que eu era, este filme era um favorito instantâneo. "Há muito tempo, quando a Terra era jovem... e esfomeada" pode dar a impressão que a história passa-se durante uma extinção em massa. A Pantera luta por um osso, supostamente uma fonte de alimento essencial para a vida pré-histórica, e luta contra uma versão Neandertal do Homenzinho, um dinossauro pequeno e um Tiranossaurus Toscus. A perseguição dura o episódio inteiro, mostrando a rica direcção artística dos cenários e dos figurantes (um crocodilo com a barriga cheia de criaturas que ainda não foram engolidas); a música deste filme não é baseada na banda sonora de Henry Mancini, e é composta por John Goodwin, que viria a trabalhar em outras produções dos estúdios DePattie-Freleng, anos mais tarde, e esta dá um efeito de adreinalina à perseguição de uma forma impecável. É brilhante.

#1 - The Pink Phink (1964)

No primeiro lugar da lista, porque não o primeiro dos 124 filmes? Toda a gente deve conhecer a história: o Homenzinho pinta a sua casa de azul enquanto a Pantera pinta por cima com uma cor do seu agrado. O filme, não só é divertido, não só é bem animado, como também é um marco histórico do cinema de animação; filme "transpira" a estética dos Anos 60, com cores sólidas, geometria simplificada e música apropriada, é uma obra de arte em movimento. Muitos críticos de cinema consideram a Pantera Cor de Rosa como "a última grande estrela animada de Hollywood" pela sua personalidade descontraída e pela sua estética própria, um conceito raro utilizado no cinema de animação, tanto no passado, como no presente e até no futuro. Vale a pena informar que, para além de ter ganho o Prémio da Academia de Melhor Curta Metragem de Animação, foi também o primeiro caso da história do cinema em que um estúdio ganha um prémio nessa categoria com o seu filme de estreia.
O que é que eu posso dizer mais? Vejam este filme as vezes que quiserem, que não deixa de ser uma pérola da imagem em movimento.

A Pantera Cor de Rosa aprova este artigo

Menções Cor-de-Rosa

-Bully for Pink (1965): A Pantera decide ser um toureiro e rouba a capa de um ilusionista, acabando por criar uma torada virada ao avesso; com uma simples mas vibrante apresentação com um contraste de cores quentes e frias, possivelmente uma das curtas-metragens mais espantosas a nível visual;

-Smile Pretty, Say Pink (1966): O Homenzinho decide tirar fotografias ao ar livre mas a Pantera faz tudo para ser o centro das atenções; o filme tem vários gags e um final chocante e até aterrorizador;

-Pink Posies (1967): A Pantera volta mais uma vez a maçar o Homenzinho, desta vez numa disputa entre flores amarelas e cor de rosas - como em The Pink Phink -, com perserguições frenéticas e ritmo acelerado;

-Sky Blue Pink (1968): É provável que esta seja a primeira curta-metragem da série que eu alguma vez vi, onde a Pantera tenta levantar voo a um papagaio de papel que deixa o Homenzinho enfurecido ao ponto de o perseguir com um avião de guerra;

-G.I. Pink (1968): A Pantera alista-se ao exército e o Homenzinho volta a ser vítima das suas asneiras; uma curta-metragem com violência animada da mais agressiva;

-Pink Sphinx (1968): No Egipto, A Pantera procura uma jóia perdida que vale uma fortuna incalculável, infelizmente o único companheiro de viagem que pôde arranjar foi um camelo preguiçoso e inútil;

-The Scarlet Pinkernel (1975): A Pantera decide tornar-se no Pimpinela Escarlate e atravessa a cidade para salvar cães que são perseguidos por apanhadores; como de costume nada corre bem para o personagem;

domingo, 9 de novembro de 2014

Mais um concerto, mais uma corda de baixo partida

Em 2011, dois amigos quiseram formar uma banda, juntamente com mais três colegas, sob o nome de Unwanted Heroes. Um ano e dois concertos mais tarde, um dos membros saiu, alterando o nome da banda para Homeless; dois concertos foram feitos e a banda fez uma pausa de quase um ano pois o líder viajou um pouco por todo o mundo com os seus irmãos. Em Agosto, a banda planeou um regresso ao palco, agora com o nome de Layover e com um logótipo definitivo: uma folha gigante a cair. O primeiro concerto em quase um ano, organizado em Outubro, juntou velhos amigos que tiveram uma noite com momentos de euforia. Eu estava lá, a apreciar um Famous Grouse enquanto ouvia as suas músicas e as piadas mandadas pelo público, como o clássico DRUM SOLO. No final do concerto, fui ter com a banda e ofereci-me para contribuir em projectos com os Layover, nomeadamente a capa do álbum que está de momento em produção. Eles adoraram a ideia, pois estavam com necessidade em arranjar um artista para cartazes de futuros concertos.

A imagem vista em cima é o primeiro de muitos cartazes dos Layover feitos por mim. Devido ao facto de se terem esquecido de enviar o cartaz para os donos da Stairway Club, o cartaz teve que ser apenas partilhado através do evento no Facebook. Eu criei um vector a partir da imagem da folha do cartaz anterior e acrescentei pormenores de fotografias das caras dos membros da banda de forma a parecer que a folha está a partir-se aos bocados.
O texto é uma referência à evolução da banda nos seus primeiros três anos de vida. Apesar do meu pai não ter gostado da última frase do texto, deixei-a estar como está pois a banda e as suas músicas não devem ser levadas a sério de todo.
Fico satisfeito com este pequeno projecto, e estou ansioso em trabalhar com os Layover no seu álbum de estreia e por aí em diante.

Os Layover é uma banda de rock alternativa formada por Alexandre Bígio, António Castro Solla, Vasco Melo Calheiros e Rui Nunes como o membro mais recente. Recorrem ao Facebook para planear concertos e outras notícias sobre o estado da banda e o Bandcamp para partilhar demonstrações das canções mais recentes. Recomendo ouvir esta banda nos tempos livres ou para quem não tem nada para ouvir.

sábado, 4 de outubro de 2014

A minha primeira demonstração animada

https://vimeo.com/107966406

Apresento-vos a minha primeira demonstração animada, ou Animation Reel, que mostra uma selecção das melhores sequências animadas de trabalhos meus, de trabalhos universitários a projectos com o Source Filmmaker. Partilhar este vídeo aumenta a possibilidade de trabalhar num projecto a nível profissional juntamente com uma equipa ou estúdio.

domingo, 28 de setembro de 2014

Um novo portefólio para os gentlemen

O portefólio entrou agora na versão 2.2, com imensas alterações para uma página mais apresentável.

A lista de mudanças.
-o logotipo "O Culto dos Monstros" foi substituido por um novo logotipo "António Alves - Artista Invadido por um Grupo de Monstros";
-Todo o texto em português tem agora uma parte em inglês para os visitantes estrangeiros;
-A tabela dos ofícios desapareceu e foi colocado no topo de todas as páginas;
-A página "Música" foi removida;
-As descrições das imagens nas galeiras "Modelagem 3D" e "Design Gráfico" têm como título as ferramentas utilizadas e na descrição o tema das composições em português e inglês;
-As "Pegadas Progressivas" foram actualizadas;


Espero que esta nova versão do portefólio seja de bom agrado para todos os visitantes.

Visite já.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A trabalhar para a equipa PVKII

Ultimamente tenho estado a contribuir para o mod Pirates, Vikings & Knights II, que já foi mencionado anteriormente neste blog. Certas novidades podem ser ditas, tais como: fazer parte da equipa de testes e a trabalhar em um trailer.

No passado mês de Agosto alistei-me para a equipa de testes (Beta Testers), ganhando acesso a todo o conteúdo disponível no mod, quer seja material antigo, novo ou ainda por ser publicado. Vários mapas estão a ser experimentados e de momento pode-se dizer que dois desses mapas estarão prontos para serem lançados ao público; novas propriedades também serão publicadas e um novo personagem estará à solta: o Man-at-Arms ou o Homem-de-Armas, um cavaleiro francês que adora insultar todos os seus inimigos. O personagem é baseado, ou até pode-se dizer que é uma recriação quase completa, do soldado francês do filme Monty Python e o Cálice Sagrado.


File:Avatar maa.jpg 
Fonte: PVKII Wiki

Os mapas variam de cenário e de objectivo; no passado foram lançados mapas baseados em ilhas desertas, templo asteca, cidade no meio de um deserto ou até mesmo num coliseu ao lado de um vulcão em erupção. E quantos mais mapas são completados, novos mapas entrarão em fase de desenvolvimento, como por exemplo o mapa com o nome de "Viking Town" (protótipo) que, apesar das reacções iniciais positivas, houve críticas em relação ao facto de os montes de onde os quartéis-generais dos personagens serem demasiado íngremes e por causa disso os jogadores acabam por receber danos devido à queda. Mandei para o ar no chat do jogo a piada "deviam mudar o nome deste mapa para te_painhills (montanhas da agonia) ".
E assim este desenho surge.
Posted Image 

Enfim. Desde então o mapa continua a ser melhorado.

Para além de contribuir a nível de testes, também estou a trabalhar a nível de publicidade. O membro principal da equipa de desenvolvimento CrazyTalk (alcunha) está a trabalhar no trailer que promove a versão 3.0 do mod, a versão que eu e mais membros da equipa de testes e de desenvolvimento está a experimentar, utilizando demonstrações em formato de vídeo que mostram o novo conteúdo. Eu ofereci-me para fazer três trabalhitos, mais um extra:

-um segmento animado com o protagonista da actualização, o Man-at-Arms, feito a partir do Source FilmMaker;
-fotografias dos personagens com poses únicas;
-"screenshots"
-o extra: um modelo animado do logótipo da Octoshark Studios, o novo nome da equipa por detrás do mod;

Por agora deixo-vos uma demonstração das capacidades faciais que o Man-at-Arms tem.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Culto dos Monstros: Versão 2.1.1 lançada

Uma nova actualização da página d' O Culto dos Monstros, distribuida pela plataforma Wix, recebeu uma actualização que acrescenta novo conteúdo e resolve alguns pormenores.

-descrição em Quem Sou Eu actualizada;
-nova fotografia colocada na página Quem Sou Eu;
-acrescentada Pegadas Progressivas, um segmento da página Quem Sou Eu onde é descrita a carreira do artista;
.fotografia na galeria de Escultura adicionada;
-todas as galerias têm agora a opção de expandir as imagens quando estas são clicadas, opção apenas existente na galeria de Design Gráfico na versão anterior;

Pode ver as pequenas mas relevantes alterações da página na ligação em baixo.
http://antoniogsmalves.wix.com/o-culto-dos-monstros

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Percursos


No passado dia 12 deu-se na cidade de Setúbal a inauguração da exposição Percursos, organizada por professores da área das Artes Plásticas da Escola Superior de Educação de Lisboa, instalada na Casa d' Avenida. A exposição mostra um conjunto de trabalhos realizadas por alunos do segundo e terceiro ano do curso Artes Visuais e Tecnologias e abrange as áreas a pintura, a escultura, cerâmica e desenho científico. Como finalista do curso direi mesmo que esta é a minha estreia numa exposição a sério; no passado tive trabalhos meus exibidos em exposições organizadas pelo Colégio do Amor de Deus no Cascaishopping, mas esta é a primeira vez em que eu tenho um trabalho exposto num edifício próprio para exposições.

Mas qual terá sido o trabalho presente nesta exposição?

Está aqui nesta fotografia.



Não, não é esta instalação toda, mas sim uma parte dela.

 
Ora aqui está ela.

Este busto (que recebeu a alcunha de Cola-fita) foi um enorme sucesso na ESE devido à estabilidade da escultura considerando o seu tamanho e peso. Tal como todos os outros bustos presentes na exposição, eu tive como objectivo criar um auto-retrato a partir de barro com uma expressão que reflectisse a minha identidade, por assim dizer. Optei por um aspecto zangado, não só por, na minha opinião, ser muito mais expressivo quando estou zangado, mas também porque pouca gente conhece-me pelo meu feitio rancoroso, e eu digo-vos já que eu não sou nad agradável quando eu estou nesse estado.

Aqui em baixo podem ver fotografias da criação da escultura. Infelizmente não tenho comigo de momento as fotografias originais das vistas de frente e de perfil da minha cara, por isso ponho esta imagem editada com uma piada insípida, seguido de um vídeo servido frio.




 
Agora sabem as origens do nome Cola-Fita

Depois de construir o interior com jornal e fita cola castanha sobre uma estaca pus as minhas mãos no barro. As saliências no nariz e nas arcadas ajudaram-me na montagem dos mesmos.




Infelizmente não posso dizer o mesmo ao resto da cara nesta fase.


A minha professora de escultura ajudou-e a resolver os problemas que eu tinha com a cara do meu busto, nomeadamente os olhos e as pálpebras, e de seguida pus-me a trabalhar no cabelo e no resto da cara.


Com lâminas e espátulas de várias formas consegui criar uma textura impressionante no cabelo e na barba, deixando a minha escultura com um aspecto mais académico; este foi de facto a minha primeira escultura humana. Um grande milagre foi o facto de a escultura não ter-se rachado depois de concluída a modelagem e a cozedura, pois este era o maior busto das duas turmas, seguido de um de um colega meu; desconheço o peso total da escultura antes de ter sido cortada metade desta para poupar barro para as aulas de Cerâmica, mas digamos que era muito pesada, mesmo.

Muitos colegas e professores admiraram o meu trabalho nesta escultura devido ao empenho que tive em tentar sustentar esta cabeça gigantesca, como também o seu acabamento, sendo até comparada com esculturas como o Colosso de Constantino (ou será que foi o de Rodes?). No dia da exposição não pude deixar de exprimir a mesma cara para esta fotografia tirada pela minha irmã.


Apesar de tudo fiquei com pena de outro trabalho meu que ganhou popularidade entre colegas, a cabeça de pavão que trabalhei para Desenho Científico, não conseguiu ter lugar na exposição devido a limitações no espaço. Mesmo assim não deixo de recomendar em ir a Setúbal e visitar a Casa d' Avenida, onde a exposição está aberta até dia 27 deste mês.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Os Dez Piores Filmes Animados que eu vi até Hoje - Parte I

Serei uma pessoa demasiado velha para escrever críticas sobre desenhos animados? Sim, e então? Isso não quer dizer que eu esteja errado em tudo o que eu digo sobre tal tema de conversa. Durante estes vinte curtos anos a ver filmes de animação em casa ou no cinema tenho visto filmes bons, outros fantásticos, outros que podiam ser melhorados, outros medíocres e outros sem charme. Alguns destes filmes sinto-me arrependido em vê-los, outros põem-me a questionar se valeu a pena dar uma vista de olhos a animais a dançar ao som de música da altura durante noventa minutos.
Eu tentei não fazer uma contagem decrescente destes dez filmes mas eu não consegui resistir em fazê-lo. Esta lista só conta com filmes que foram lançados para o cinema, que eu os tenha visto numa sala de cinema ou não, quer estes sejam sequelas, spin-offs ou filmes feitos para continuar séries televisivas. Esta primeira parte eu sou muito mais justo a estes filmes mas garanto-vos que isto vai ficar duro nos próximos posts.

#10 - Pinóquio 3000 (2004)

File:Pinocchio 3000.jpgCom Woopi Goldberg a fazer de géni- quer dizer, Fada Azul.
Só de pensar num título como este não é de esperar que seja a história de Carlo Collodi no futuro, só que nesta adaptação Stromboli é o único vilão e tenciona conquistar o mundo inteiro, a recorrer ao mesmo método usado pelo cocheiro em várias adaptações da história, que horror. 
Apesar da animação computorizada desactualizada mesmo para um filme lançado em 2004 e a natureza previsível do argumento em si, o filme até que transmite algumas mensagens importantes que felizmente não caem na tentação utilizada pelas sequelas dos filmes da Disney feitos para vídeo; para ser sincero, eu até aprecio esta versão do grilo falante como velho amigo de Gepeto que fica com o infortúnio de tomar conta de uma criança desprezivelmente inocente; por algum motivo Howie Mandel faz a voz deste pinguim robótico; agora imaginem-no com a voz de Gizmo do filme Gremlins.




#9 - Socorro, Sou um Peixe! (2000)
File:HelpImAFish DVD cover.jpg Filme produzido na Dinamarca, conta a história de um grupo de crianças que descobrem o laboratório de um cientista que criou a invenção do século: um elixir que faz transformar qualquer pessoa num peixe ou noutra criatura marítima quando esta é tomada. Depois de um acidente em que a irmã mais nova do protagonista - agora uma estrela do mar - foi atirada para o mar, os dois rapazes têm o objectivo de recuperá-la, transformando-se em animais marítimos e levando com eles um antídoto que reverte o processo de transformação em grandes doses; só que, uh-oh, os rapazes perderam o antídoto e agora um tubarão ganhou a capacidade de falar e um outro peixe transforma-se aos poucos e poucos no actor Alan Rickman, e com o seu novo cérebro avançado planeia a criação de uma utopia debaixo de água. Agora é objectivo dos três jovens a resolver este problema.
http://content8.flixster.com/question/47/48/79/4748794_std.jpg 
Fonte: Rotten Tomatoes
O conceito do filme é de facto criativo, e para um filme feito num país que não os Estados Unidos ou outro que tenha uma reputação alta na área na animação, este está bem produzido e polido nas arestas; a versão inglesa tem um elenco peculiar, com Alan Rickman como vilão (grande choque), membro dos Monty Python Terry Jones como o cientista maluco, e quer acreditem ou não este foi dos primeiros filmes protagonizados pela estrela da série Breaking Bad, Aaron Paul. Não, ele não é o miúdo do boné, mas sim o miúdo gordo que se transforma em alforreca.
What's up, bi-atch

À primeira vista não parece ser um filme mau, apenas uma tentativa de fazer um filme ao estilo Disney, no entanto tem um problema muito sério: é deprimente; não só é deprimente como também é perturbador para um filme destinado a crianças. É muito provável que Socorro, Sou um Peixe! tenha a morte mais macabra de um vilão que pode ser imaginável para um filme animado. Infelizmente uma outra cena mais à frente onde ocorre uma falsa morte puxa demasiado na sanidade dos mais novos.




Resumindo e concluindo, é uma experiência interessante para quem não tem nada para ver, contudo não é aconselhável para os mais novos; os adultos que guardam este filme no meio de uma prateleira com filmes de Stanley Kubrick.

#8 - A Espada Mágica (1998)

File:Quest for Camelot- Poster.jpgEra uma vez um estúdio notável pelo seu departamento de animação que entrém milhões de pessoas em todo o mundo durante mais de cinquenta anos. No final do século a Warner Bros. sugeriu a criação de um estúdio dedicado a longas-metragens de animação, e com o sucesso da Disney durante a chamada "Era Renascentista" resolveram entrar numa efémera corrida pelas audiências. A Espada Mágica foi um pé esquerdo que pisou um pântano muito fundo. Artigos referem como a produção deste filme foi devastadora para muitos animadores e produtores, chegando mesmo a planear o cancelamento do filme. Por algum motivo o filme conseguiu chegar aos cinemas, sendo este um dos primeiros filmes que eu vi do grande ecrã e, como era de esperar, foi um desastre crítico e financeiro. O filme estava planeado para estrear no natal de 1997 mas foi adiado para evitar competição com outros filmes familiares como Flubber, Anastásia e o relançamento d' A Pequena Sereia, no entanto a sua estreia em Maio do ano seguinte foi também uma péssima ideia devido à sua promoção fraca em comparação com Impacto Profundo e Godzilla de Roland Emmerich.
O filme tem um prólogo razoável, mencionando a importância da espada Excalibur e de quem a tirou da pedra onde estava presa, Artur, rei de Inglaterra; o pai de Kayley, a protagonista, foi membro da Távola Redonda, e um dia foi morto por um traidor do reino; o resto do prólogo consiste na tristeza de Kayley que, como é de esperar, tem zero pontos de carisma.
Os anos passam e num dia diferente dos outros a Excalubur é roubada por um grifo que trabalha para o responsável pela morte do pai da heroína: Gary Oldman.
File:GaryOldman-1.jpg
Eu não estou a gozar, Gary Oldman é o vilão do filme, e tal como qualquer vilão memorável, tem uma canção que se sobressai da mediocridade que este filme é.
Já agora, o nome do vilão não é "Borracha", falta um segundo "b" alí no meio.

Kayley consegue fugir e pelo caminho encontra-se com um escudeiro cego que vive numa floresta encantada, um falcão enviado por Merlin para procurar a espada roubada e que prova ser mais inteligente do que a maioria dos personagens do filme, e um dragão com duas cabeças com as vozes de Eric Idle (porque será que todos os membros dos Monty Python excepto John Cleese aparecem sempre em filmes maus quando estão a trabalhar sozinhos) e Don Rickles; na dobragem portuguesa o dragão é actuado por André Maia e José Raposo, ou seja, Timon e Pumba, respectivamente, que original.
Enfim, Kayley descobre que a Excalibur não foi roubada por completo pois o grifo de Ruben deixou-a cair no meio da floresta onde Garret o escudeiro cego vive, e estes cinco personagens têm de chegar primeiro a Camelot com a Excalibur antes de Ruben e o seu exército de mutantes que raptaram a mãe de Kayley entre outros aldeões para fazerem parte de uma armadilha.
Apesar de uma boa direcção artística que combina com o aspecto místico do folclore britânico, A Espada Mágica é melhor descrito como um filme da Disney a tentar não ser um filme da Disney; é previsível e ao mesmo tempo é confuso a explicar elementos da história, os personagens variam entre esquecíveis e irritantes ou até mesmo muito estúpidos no seu conceito (galinha-machado com a voz de Jaleel White, a.k.a. Sonic o Ouriço) e um humor pobre, com referências de outros filmes da Warner terrivelmente colocados, como por exemplo, a galinha-machado a citar a famosa frase de Dirty Harry no primeiro capítulo da série de filmes protagonizada por Clint Eastwood; é um filme repleto de clichés que vale a pena ver só para o gozo. Infelizmente, devido ao mau sucesso do filme a produção seguinte do estúdio, O Gigante de Ferro, realizado por Brad Bird, apesar das boas críticas não foi bem-sucedido nas bilheteiras, levando o projecto seguinte de Bird, Os Incríveis, para os estúdios da Pixar; este ano a Warner teve o contentamento de ter um sucesso de bilheteira com O Filme Lego e actualmente tem mais planos para futuros filmes animados, por isso nem tudo tem de ser mau quando não se tem sucesso.

 #7 - A Viagem Encantada (1992)

File:The Magic Voyage VideoCover.jpegOs alemães não sabem fazer bons filmes animados, isso é um facto; recorrer a um episódio da história da humanidade e transformá-la numa patetice pegada deve ter sido tarefa fácil para eles, não? Juntamente com um filme épico realizado por Ridley Scott e outro filme protagonizado por Marlon Brando, A Viagem Encantada comemora os quinhentos anos da descoberta da América, momento glorioso para uns, momento trágico para outros. Um certo estúdio alemão, para poder contar este episódio histórico para os mais novos, decidiu Disneyficá-la à sua maneira, e isso consiste na introdução de um personagem irrelevante: Pico, um bicho da madeira que parece tudo menos invertebrado. Durante esta viagem Colombo passa por cenas bizarras, tais como alucinações, sonhos em que se apaixona com a rainha de Espanha, motins e enforcamentos no seu navio (não eram três?), castores falantes e deuses em forma de enxames de vespas; entretanto, Pico tenta salvar a ninfa dos seus sonhos Marylin do Senhor dos Enxames, um demónio temido por indígenas de alguma parte do continente americano, porque os argumentistas não sabem ser específicos.À primeira vista esta história parece familiar, não?
  
O filme demonstra uma precisão histórica da viagem impecável, tal como quando Cristóvão Colombo puxou um telescópio do seu escroto enquanto vestia um fato amarelo com um chapéu à Napoleão Bonaparte. Entretenimento para todas as idades.
 
Este é dos filmes mais antigos que eu me lembro de ver em cassete, e sem explorar mais informação sobre o título em questão, tenho memórias de ouvir Cristóvão Colombo com a voz do responsável pela voz portuguesa do brasil do Pateta, que interessante; mais interessante ainda é o facto de o narrador na segunda dobragem inglesa (existe uma dobragem mais antiga que é raro encontrar uma cópia hoje em dia) é nada mais nada menos que Mickey Rooney. Jiminy Jillickers!O mais impressionaste facto sobre este filme é o seu orçamento: cerca de 14 milhões de dólares americanos, na altura era o filme animado mais caro produzido na Alemanha; pergunto a mim mesmo como será um filme animado de produção alemã com um orçamento maio- oh, espera...
Animais Unidos Jamais Serão Vencidos (2010) Poster
 

Estes animadores não sabem aprender com os seus erros.

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Stop-motion Prototipado


Este pequeno trabalho vai fazer parte de uma apresentação para o concurso Poliempreende, organizado pelo Instituto Politécnico de Lisboa, cujo objectivo consiste na criação de um negócio único e com capacidades de persistir no mundo do mercado. Depois de uma apresentação medíocre, resolvi melhorar substancialmente a minha apresentação digna de uma nota final de 17 valores em Empreendorismo, a cadeira-chave do concurso.
O meu projecto é algo que o meu professor mostrou um grande interesse: criador de mascotes para empresas, instituições ou até marcas, com o objectivo de atrair os mais novos para  visitar esses institutos ou para comprar um produto de certa marca, a partir de um catalisador em forma de personagem animada. O(s) personagem(ns) devem ter como aspecto fundamental representar o produto ou o instituto de uma forma a reconhecer aquilo que estes tentem vender ao público, não só isso, como também devem ter características especiais que os fazem destacar de outras mascotes. A ideia de criar mascotes para outras empresas é na realidade um emprego muito invulgar em Portugal, enquanto no Brasil encontram-se certos websites dedicados a esse negócio, daí o entusiasmo vindo do meu professor.
Optei pelo uso do Museu de História Natural de Sintra, não só pelo facto de ter um familiar a trabalhar no edifício, mas também por ser um dos edifícios culturais mais visitados da zona histórica do concelho, por isso não quis desperdiçar tal oportunidade em "trabalhar" com o museu para a apresentação do Poliempreende.
Outro produto que o meu projecto vende para estas empresas e organizações são spots publicitários para a promoção destes, mais precisamente anúncios audiovisuais, quer estes sejam transmitidos na internet ou na televisão.
Por agora posso mostrar este rascunho de um excerto do anúncio que estou a produzir para a apresentação do Poliempreende, stop-motion caseiro a partir de materiais recicláveis como neste caso a cartolina, e mais uma vez recorro ao tema do Museu de História Natural. Os efeitos sonoros foram extraídos do jogo Half-Life 2 da Valve Software e são utilizados apenas como "placeholders" até que efeitos sonoros produzidos por mim sejam criados e implementados no anúncio, a não ser claro que a Valve autorize o uso destes efeitos sonoros para fins educativos.

ACTUALIZAÇÂO

Acrescento três GIFs animadso para dar três perspectivas diferentes: o primerio em câmara lenta, o segundo tem um tamanho maior e é mais rápido, e o terceiro, mais compacto, para poder ser partilhado por todos.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Heavy Acorda (Source Film Maker) + Portefólio Digital

Muita coisa tem acontecido nestes últimos dois meses. O fim do curso, a E3, festas de anos...
Mas primeiro, mostro-vos mais um filme feito com o Source Film Maker.

As maravilhas e funcionalidades por detrás das armas nucleares, vistas neste pequeno filme.
A animação do Heavy foi uma tentativa de utilizar dois processos diferentes de animar um personagem que podem ser utilizados no Source Film Maker: blocking e keyframing. Blocking consiste em pequenos segmentos (ou blocos) de uma cena em que o personagem faz poses específicas e de seguida fazem-se blocos secundários para as transições das poses e para os movimentos, quanto mais detalhados são as poses nos respectivos blocos, mais fluida a animação; keyframing é um método mais utilizado para animadores, numa cena cada frame (ou fotograma) será localizado o destino de uma parte do corpo, e uma transição entre dois frames podem ser directos ou mais fluidos, e isso faz-se com mais frames colocados entre os dois frames principais.
Infelizmente a mistura dos dois processos não correu tão bem como eu esprava. O grande problema foi devido à suavização das arestas, que foi demasiada, e por causa disso mesmo o personagem parece muito menos fluido em termos de movimentos.
As minhas inspirações para este filme foram o filme The Heavy Goes to the Store, um filme Source Film Maker de Ferhod, e uma frase dita por James Rolfe na sua análise do filme Godzilla vs Mecha-Godzilla para uma edição especial do Monster Madness dedicado ao Rei dos Monstros. A frase é dita no minuto 3:30.


Outra informação que vos quero lançar é a da criação do meu portefólio digital. Este pode ser visto aqui.
esta página foi criado com a plataforma Wix. Já o tinha criado no ano passado para uma cadeira, mas voltei a utilizá-la para fazer umas melhorias na apresentação e no conteúdo. Aos poucos e poucos a página terá mais conteúdo a caminho. Por enquanto, apreciam aquilo que está disponível.

sábado, 26 de abril de 2014

Cascais Distópico

Quem conhece Cascais deve achar este conceito fora do normal e completamente absurdo, mesmo considerando o caminho que este governo e o Fundo Monetário Internacional nos está levar, mas quem disse que isto era uma previsão? Esta descrição de uma versão futurista da vila veio de um sonho lúcido que eu tive numa noite passada, no início deste mês, e achei o mais acertado fazer um artigo sobre esse preciso sonho no dia 25 de Abril, Dia da Revolução dos Cravos. Os sonhos lúcidos que eu tenho são na grande maioria edifícios vulgares com estéticas confusas e abusivas, como se um cartoonista fizesse uma versão caricata de um restaurante ou de um monumento; no caso do Cascais distópico eram mais edifícios e até ruas. Por conseguinte achei o mais acertado fazer rascunhos destes cenários para uma melhor compreensão do contexto.

Estação de Cascais

O dia começa e, tal como todas as pessoas que vão para a universidade, vêm o tempo a passar quando se arranjam e fazem as suas viagens por transportes públicos ou por outros meios; chego à estação e vejo pessoas, famílias com malas de viagem e com um aspecto neutro e todos eles mudos; fico sentado num banco à espera de um comboio e fico a olhar para o mar; apesar de já ter visto pelo menos umas duas vezes, continuava a não me aperceber que o edifício do CascaisVilla estava abandonado e degradado (eu culparia aqueles que não voltaram a reabrir o Castello Lopes). 

Reparo numa mãe e em dois filhos que estavam a conversar, não me lembro do que estavam a falar mas mantinha-me entretido, até que me apercebi que a minha mochila tinha desaparecido. Alguém roubou a mochila, por isso comecei a correr até às portas para perguntar a alguém se tinha visto a minha mochila da Targus, vermelha e cinzenta (que por incrível que pareça esse modelo é muito usada por estudantes do IPL) e com fechos estragados. Mencionei também que o meu passe de comboio e cartão Multibanco estavam guardados lá dentro (apesar de nunca fazer tal coisa) e um dos guardas reagiu, afirmando que quem não tem passe no lado das portas da estação tinha que sair de imediato, caso contrário levaria uma multa de duzentos Euros. Ao sair da linha olho para o comboio que tinha acabado de chegar e que eu viria a apanhar, só que ao contrário dos comboios que se apanham nas linhas de Cascais e de Sintra, este era um comboio de mercadorias.


Avenida Valbom

Eu saio da estação e reparo que o dia amanheceu depressa só que o céu estava nublado. Ao pé do edifício da Geração C está um pequeno grupo de pessoas da minha idade a protestarem por alguma razão pois de momento eu estava com ouvidos duros. Eu desço a Avenida Valbom e parei à frente da vitrina de uma loja, aliás, de uma casa. Num pequeno espaço via uma cama de casal com um monte incalculável de roupa amachucada e encostada na vitrina, sobre uma mesa havia uma televisão pequena e um leitor de DVD e um armário que ocupava grande parte da parede. Tal como as entradas de uma loja, a porta era de vidro estava aberta, e com as luzes de tecto ligadas podia-se dizer que alguém estava a viver nesta loja abandonada que foi transformada em casa. Eu abro a porta lentamente e pergunto: “Está aqui alguém?” De repente sai da cama um miúdo, muito novo, com uns oito ou nove anos, e grita à minha frente “Vai-te embora ò labrego, a minha mãe não está cá para fazer-te favores!”; com essa ameaça pus-me a andar.


Museu do Mar?

Por incrível que pareça quanto mais eu andava a Avenida Valbom ficava gradualmente a transformar-se no interior de um centro comercial moderno; no meio da calçada existia uma escada rolante que me levava a um andar inferior, sim, um andar de um centro comercial debaixo de terra, e deparo com um pequeno aglomerado de restaurantes prontos para abrirem as portas aos clientes; não me lembro de nenhum nome desses restaurantes excepto a Portugália; quem já visitou a Marinha de Cascais ou o Cascaishopping deve conhecer esse restaurante pois este destaca-se pela sua decoração inspirada em azulejos holandeses e os seus aquários cheios de sargos (lembro-me de também ver uma pata-roxa no da Marinha), como também os seus menus deliciosos típicos de cervejaria. A Portugália que eu encontrei era um restaurante de fast food com empregadas feias e menus com hambúrgueres com aspecto repugnante. Pus-me logo a andar.
De repente deparo-me com uma zona chamada “Museu do Mar”. Porque é que um dos museus mais famosos da vila foi parar a um centro comercial? Eu não sabia o que aconteceu com o Museu do Mar no passado mas eu fiquei completamente revoltado com o que via. O Museu do Mar não passava de uma casa de banho gigante com bonecos de plástico de animais marinhos e fotografias desses que podiam ser procuradas de imediato no Google. Mulheres idosas olhavam para essas imagens com interesse e havia uma fonte minúscula no meio do “museu”; no meio dessa fonte havia uma estátua de uma foca bebé feita de plástico. De um momento para o outro a cabeça da foca partiu-se sozinha e gradualmente a pequena fonte começou a transbordar como se tratasse de uma fuga num cano.

O sonho acaba comigo a olhar para o museu cheio de água no chão de azulejos.

De vez em quando penso neste sonho conscientemente e tenho imaginar o aspecto mais realista deste cenário. Como eu já disse antes é muito improvável tal coisa acontecer pois Cascais é um concelho rico em monumentos e cultura, diversos festivais durante o ano inteiro e um forte ponto turístico, mas fico com interesse em aprofundar tal cenário num projecto meu, num futuro distante, mas por agora festejo quarenta anos de democracia, liberdade é apenas condicional, mas Portugal continua a ser um país longe da anarquia e que assim seja nestes próximos anos, enquanto eu e os meus descendentes estiverem vivos.

sábado, 12 de abril de 2014

Axe of the Skies (Source Film Maker)

Faço um novo filme com o Source Film Maker, desta vez com os personagens maravilhosos de Pirates, Vikings and Knights II.
Pirates, Vikngs and Knights II é um jogo feito com o motor de jogo Source, ferramenta criada pela Valve Software e que com ela vários jogos tais como Half-Life 2, Portal e Team Fortress 2 foram criados. Criado em 2007 e ao longo dos anos a desenvolver novo conteúdo para manter os jogadores activos tais como mapas e novos personagens, a equipa do PVKII criou um culto à volta deste jogo, criando um universo que pode ser expandido para além do jogo. Diz-se que a maior inspiração para os criadores do jogo foi o filme Monty Python e o Santo Graal.
Fonte: ModDB

Este filme de um minuto descreve a possibilidade de o Berserker, um dos membros do clã dos vikings, recebesse um par de asas como uma dádiva dos deuses nórdicos, espalhando caos e anarquia aos seus inimigos, os piratas e os cavaleiros.
A música utilizada é de Benjamin Bartlett, mais precisamente duas músicas da série da BBC O Tempo dos Dinossauros.

Demorei cerca de dois dias a fazer este filme mas mesmo assim passei por algumas dificuldades em animar estes personagens por não terem um esqueleto facial fácil de usar como os dos personagens de Team Fortress 2, e também ainda não sou capaz de animar pessoas a andar como deve ser, e o facto de o mapa ter brilhos de várias cores é um problema que eu tenho que resolver em filmes futuros. Já agora, algumas das câmaras foram colocadas em posições muito obtusas para esconderem o aspecto real de alguns dos modelos usados.

Pois bem, apesar de ter tido dificuldades, estou satisfeito com este vídeo. Provavelmente os membros dos fóruns do PVKII irão adorá-lo pelo seu conceito e humor, e com isto podemos vir a trabalhar em filmes oficiais do jogo, feitos com o Source Film Maker.

sábado, 29 de março de 2014

O Quarto do Carniceiro

Ultimamente tenho estado incapaz de actualizar este blogue desertificado devido ao facto de o meu portátil ter ficado com uma peça partida que impossibilitava o carregamento deste. Ficou quase um mês sem ser utilizado e durante o tempo que esteve arranjado tive que utilizar um computador que sofreu há alguns anos uma pandemia de vírus informáticos e que por causa disso tinha problemas de optimização; utilizar o Illustrator era caótico, ir ao Facebook ou ao YouTube implicava muita sorte para ter a página actualizada, por algum motivo a demonstração do FL Studio 8 funcionava quase na perfeição... Enfim, foram semanas longas sem poder fazer algo para ressuscitar este blogue.

Durante o tempo que tive sem ir a certos sites religiosamente, passei algum tempo a dar uma vista de olhos a vários livros infantis que o meu pai lia quando eu era mais novo; Noé o Pelicano, Uma Tarde no Circo (horrivelmente estragado) vários livros da Rua Sésamo incluindo o clássico Sopa de Legumes, e também bandas desenhadas como o Petzi. Tenho pena só possuir dois dos vários álbuns que existem.
Fonte: Casterman





Com esse tempo que tive sem utilizar os sites do costume, também aproveitei e pus-me a ver alguns filmes, quer em casa ou no cinema; O Filme Lego foi uma delícia de filme animado, o mais divertido que eu vi desde Up, ideal para um fã dos Legos; no Monstra vi a estreia em Portugal de The Wind Rises, o filme final do realizador japonês Hayao Myazaki, um filme meio biográfico meio fantástico de um engenheiro de aviões que passa por vários conflitos na sua vida para construir a máquina voadora perfeita, boa despedida vindo do realizador.
Em casa voltei a rever o filme A Melodia de Bill Plympton, realizador independente norte-americano notável pelos seus desenhos caricatos com paisagens surrealistas e distorções bizarras. O filme que estreou em 1992 é sobre um músico que anda à procura da nota ideal para acabar "a sua obra-prima" e mostrá-la ao seu gerente que critica tudo sobre ele. Ao longo da sua viagem até à discográfica passa por uma cidade chamada Flooby Nooby onde tudo oferece inspiração instantânea a cada pessoa, originando qualquer tipo de música como a paixoneta entre um hambúrguer e uma batata frita ou um cão com um cabelo à Elvis Presley.
  Uma das músicas presentes no filme chama-se O Hotel dos Corações Despedaçados, nesta cena o protagonista visita um hotel e conhece um paquete paranóico que fala sobre o serviço de morte que o hotel tem, tais como bebidas ácidas, sofás mortíferos e piscinas-sepultura; de seguida o paquete faz uma visita guiada das suítes e quartos disponíveis, entre estes um quarto com o nome de "O Quarto do Carniceiro", onde lá dentro um carniceiro com um cutelo a gritar para o músico "EU MATO-TE!" Eu não podia acreditar no que eu estava a ver. Era provavelmente a segunda ou a terceira vez que eu vejo o filme e só recentemente descobri quem é na realidade esse carniceiro: Lupo, o Carniceiro (Lupo the Butcher).

Lupo the Butcher é uma curta-metragem criada em 1987 pelo animador canadiano Danny Antonucci. Este filme de três minutos fala sobre um carniceiro italiano que queixa-se constantemente sobre o seu trabalho, insultando cada bocado de carne que corta com o seu cutelo; com a raiva corta o seu polegar e entra em pânico com a quantidade de sangue que jorra do seu dedo, e por algum motivo fica todo feito aos pedaços, mas mesmo feito em fatias Lupo continua a mandar palavrões para o ar até o fim do filme. 


Depois de trabalhar para os estúdios da Hanna-Barbera no início dos Anos 80, a curta-metragem foi o primeiro trabalho de Danny Antonucci como realizador, e com o sucesso de Lupo the Butcher continuou a trabalhar no ramo da animação e fundou o estúdio a.k.a. Cartoon, dando origem a projectos para a MTv como Cartoon Sushi e Brothers Grunt; este último foi alvo de criticismo pelo seu humor e aspecto repulsivo e fraca qualidade da série em geral. Apesar da reacção desmotivadora, Danny continuou a trabalhar no seu estúdio e em 1996 mandou para o Cartoon Network e para o Nickelodeon um fax onde estava escrito o conceito para uma nova série animada para crianças; Cartoon Network foi o estúdio escolhido para a produção da série pois o Nickelodeon era muito restrito no controlo criativo enquanto o CN era mais livre. Dois anos mais tarde foi lançada a primeira temporada do que viria a ser o programa com maior sucesso no Cartoon Network: Ed, Edd n' Eddy.


Fonte: Wikipédia
Para quem não conhece a série, é tudo sobre este trio de adolescentes que partilham o mesmo nome (Edward), comunicando uns com os outros a partir das suas alcunhas; Ed (à direita) é um rapaz burro fanático por revistas de banda desenhada sobre o fantástico, tem fobia ao sabão mas tem bom coração e gosta de ajudar os seus amigos, mesmo se envolve violência física; Edd ou Double D (à esquerda) é o cérebro da equipa, um génio das várias ciências e uma pessoa obcecada com limpezas, mas é fraco e não possui coragem o suficiente para fazer frente a qualquer um; Eddy (no meio) é o chefe do trio, um narcisista cleptomaníaco que deseja ser o mais popular do bairro, inventando esquemas absurdos para ser o centro das atenções, e também gabando-se do seu irmão mais velho que nunca aparece na série até ao Ed, Edd n' Eddy Big Picture Show, a longa-metragem feita para televisão que concluiu a série depois de 10 anos em produção.

Bem, pelos vistos desviei o tema desta conversa um bocadinho.

Voltando ao assunto, este pequeno pormenor deixou-me morbidamente curioso porque é desconhecido se Danny Antonucci esteve envolvido no filme A Melodia pois nos créditos não aparece tal nome, e esse facto manda para o ar diversas perguntas: qual foi a intenção de Bill Plympton em utilizar o personagem? Será que Danny trabalhou de facto para o filme e não quis aparecer nos créditos? Ou será que Bill Plympton utilizou o personagem sem a autorização de Antonucci?

Uma coisa é certa, não existe nada sobre este pormenor que apareça na internet, nem no IMDb ou em sites dedicados a animação. É possível que eu tenha sido o primeiro a descobrir algo que esteve fora do alcance dos maiores peritos de animação ou até mesmo os fãs de Bill Plympton e os seus filmes, mas estou a fazer-me de convencido, alguém pode já ter feito esta descoberta e de nunca ter partilhado por parecer ser irrelevante.

Vale a pena mandar certas descobertas para o ar de vez em quando.
Fontes: Vimeo e IMDb, respectivamente