sábado, 29 de março de 2014

O Quarto do Carniceiro

Ultimamente tenho estado incapaz de actualizar este blogue desertificado devido ao facto de o meu portátil ter ficado com uma peça partida que impossibilitava o carregamento deste. Ficou quase um mês sem ser utilizado e durante o tempo que esteve arranjado tive que utilizar um computador que sofreu há alguns anos uma pandemia de vírus informáticos e que por causa disso tinha problemas de optimização; utilizar o Illustrator era caótico, ir ao Facebook ou ao YouTube implicava muita sorte para ter a página actualizada, por algum motivo a demonstração do FL Studio 8 funcionava quase na perfeição... Enfim, foram semanas longas sem poder fazer algo para ressuscitar este blogue.

Durante o tempo que tive sem ir a certos sites religiosamente, passei algum tempo a dar uma vista de olhos a vários livros infantis que o meu pai lia quando eu era mais novo; Noé o Pelicano, Uma Tarde no Circo (horrivelmente estragado) vários livros da Rua Sésamo incluindo o clássico Sopa de Legumes, e também bandas desenhadas como o Petzi. Tenho pena só possuir dois dos vários álbuns que existem.
Fonte: Casterman





Com esse tempo que tive sem utilizar os sites do costume, também aproveitei e pus-me a ver alguns filmes, quer em casa ou no cinema; O Filme Lego foi uma delícia de filme animado, o mais divertido que eu vi desde Up, ideal para um fã dos Legos; no Monstra vi a estreia em Portugal de The Wind Rises, o filme final do realizador japonês Hayao Myazaki, um filme meio biográfico meio fantástico de um engenheiro de aviões que passa por vários conflitos na sua vida para construir a máquina voadora perfeita, boa despedida vindo do realizador.
Em casa voltei a rever o filme A Melodia de Bill Plympton, realizador independente norte-americano notável pelos seus desenhos caricatos com paisagens surrealistas e distorções bizarras. O filme que estreou em 1992 é sobre um músico que anda à procura da nota ideal para acabar "a sua obra-prima" e mostrá-la ao seu gerente que critica tudo sobre ele. Ao longo da sua viagem até à discográfica passa por uma cidade chamada Flooby Nooby onde tudo oferece inspiração instantânea a cada pessoa, originando qualquer tipo de música como a paixoneta entre um hambúrguer e uma batata frita ou um cão com um cabelo à Elvis Presley.
  Uma das músicas presentes no filme chama-se O Hotel dos Corações Despedaçados, nesta cena o protagonista visita um hotel e conhece um paquete paranóico que fala sobre o serviço de morte que o hotel tem, tais como bebidas ácidas, sofás mortíferos e piscinas-sepultura; de seguida o paquete faz uma visita guiada das suítes e quartos disponíveis, entre estes um quarto com o nome de "O Quarto do Carniceiro", onde lá dentro um carniceiro com um cutelo a gritar para o músico "EU MATO-TE!" Eu não podia acreditar no que eu estava a ver. Era provavelmente a segunda ou a terceira vez que eu vejo o filme e só recentemente descobri quem é na realidade esse carniceiro: Lupo, o Carniceiro (Lupo the Butcher).

Lupo the Butcher é uma curta-metragem criada em 1987 pelo animador canadiano Danny Antonucci. Este filme de três minutos fala sobre um carniceiro italiano que queixa-se constantemente sobre o seu trabalho, insultando cada bocado de carne que corta com o seu cutelo; com a raiva corta o seu polegar e entra em pânico com a quantidade de sangue que jorra do seu dedo, e por algum motivo fica todo feito aos pedaços, mas mesmo feito em fatias Lupo continua a mandar palavrões para o ar até o fim do filme. 


Depois de trabalhar para os estúdios da Hanna-Barbera no início dos Anos 80, a curta-metragem foi o primeiro trabalho de Danny Antonucci como realizador, e com o sucesso de Lupo the Butcher continuou a trabalhar no ramo da animação e fundou o estúdio a.k.a. Cartoon, dando origem a projectos para a MTv como Cartoon Sushi e Brothers Grunt; este último foi alvo de criticismo pelo seu humor e aspecto repulsivo e fraca qualidade da série em geral. Apesar da reacção desmotivadora, Danny continuou a trabalhar no seu estúdio e em 1996 mandou para o Cartoon Network e para o Nickelodeon um fax onde estava escrito o conceito para uma nova série animada para crianças; Cartoon Network foi o estúdio escolhido para a produção da série pois o Nickelodeon era muito restrito no controlo criativo enquanto o CN era mais livre. Dois anos mais tarde foi lançada a primeira temporada do que viria a ser o programa com maior sucesso no Cartoon Network: Ed, Edd n' Eddy.


Fonte: Wikipédia
Para quem não conhece a série, é tudo sobre este trio de adolescentes que partilham o mesmo nome (Edward), comunicando uns com os outros a partir das suas alcunhas; Ed (à direita) é um rapaz burro fanático por revistas de banda desenhada sobre o fantástico, tem fobia ao sabão mas tem bom coração e gosta de ajudar os seus amigos, mesmo se envolve violência física; Edd ou Double D (à esquerda) é o cérebro da equipa, um génio das várias ciências e uma pessoa obcecada com limpezas, mas é fraco e não possui coragem o suficiente para fazer frente a qualquer um; Eddy (no meio) é o chefe do trio, um narcisista cleptomaníaco que deseja ser o mais popular do bairro, inventando esquemas absurdos para ser o centro das atenções, e também gabando-se do seu irmão mais velho que nunca aparece na série até ao Ed, Edd n' Eddy Big Picture Show, a longa-metragem feita para televisão que concluiu a série depois de 10 anos em produção.

Bem, pelos vistos desviei o tema desta conversa um bocadinho.

Voltando ao assunto, este pequeno pormenor deixou-me morbidamente curioso porque é desconhecido se Danny Antonucci esteve envolvido no filme A Melodia pois nos créditos não aparece tal nome, e esse facto manda para o ar diversas perguntas: qual foi a intenção de Bill Plympton em utilizar o personagem? Será que Danny trabalhou de facto para o filme e não quis aparecer nos créditos? Ou será que Bill Plympton utilizou o personagem sem a autorização de Antonucci?

Uma coisa é certa, não existe nada sobre este pormenor que apareça na internet, nem no IMDb ou em sites dedicados a animação. É possível que eu tenha sido o primeiro a descobrir algo que esteve fora do alcance dos maiores peritos de animação ou até mesmo os fãs de Bill Plympton e os seus filmes, mas estou a fazer-me de convencido, alguém pode já ter feito esta descoberta e de nunca ter partilhado por parecer ser irrelevante.

Vale a pena mandar certas descobertas para o ar de vez em quando.
Fontes: Vimeo e IMDb, respectivamente

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