terça-feira, 8 de julho de 2014

Os Dez Piores Filmes Animados que eu vi até Hoje - Parte I

Serei uma pessoa demasiado velha para escrever críticas sobre desenhos animados? Sim, e então? Isso não quer dizer que eu esteja errado em tudo o que eu digo sobre tal tema de conversa. Durante estes vinte curtos anos a ver filmes de animação em casa ou no cinema tenho visto filmes bons, outros fantásticos, outros que podiam ser melhorados, outros medíocres e outros sem charme. Alguns destes filmes sinto-me arrependido em vê-los, outros põem-me a questionar se valeu a pena dar uma vista de olhos a animais a dançar ao som de música da altura durante noventa minutos.
Eu tentei não fazer uma contagem decrescente destes dez filmes mas eu não consegui resistir em fazê-lo. Esta lista só conta com filmes que foram lançados para o cinema, que eu os tenha visto numa sala de cinema ou não, quer estes sejam sequelas, spin-offs ou filmes feitos para continuar séries televisivas. Esta primeira parte eu sou muito mais justo a estes filmes mas garanto-vos que isto vai ficar duro nos próximos posts.

#10 - Pinóquio 3000 (2004)

File:Pinocchio 3000.jpgCom Woopi Goldberg a fazer de géni- quer dizer, Fada Azul.
Só de pensar num título como este não é de esperar que seja a história de Carlo Collodi no futuro, só que nesta adaptação Stromboli é o único vilão e tenciona conquistar o mundo inteiro, a recorrer ao mesmo método usado pelo cocheiro em várias adaptações da história, que horror. 
Apesar da animação computorizada desactualizada mesmo para um filme lançado em 2004 e a natureza previsível do argumento em si, o filme até que transmite algumas mensagens importantes que felizmente não caem na tentação utilizada pelas sequelas dos filmes da Disney feitos para vídeo; para ser sincero, eu até aprecio esta versão do grilo falante como velho amigo de Gepeto que fica com o infortúnio de tomar conta de uma criança desprezivelmente inocente; por algum motivo Howie Mandel faz a voz deste pinguim robótico; agora imaginem-no com a voz de Gizmo do filme Gremlins.




#9 - Socorro, Sou um Peixe! (2000)
File:HelpImAFish DVD cover.jpg Filme produzido na Dinamarca, conta a história de um grupo de crianças que descobrem o laboratório de um cientista que criou a invenção do século: um elixir que faz transformar qualquer pessoa num peixe ou noutra criatura marítima quando esta é tomada. Depois de um acidente em que a irmã mais nova do protagonista - agora uma estrela do mar - foi atirada para o mar, os dois rapazes têm o objectivo de recuperá-la, transformando-se em animais marítimos e levando com eles um antídoto que reverte o processo de transformação em grandes doses; só que, uh-oh, os rapazes perderam o antídoto e agora um tubarão ganhou a capacidade de falar e um outro peixe transforma-se aos poucos e poucos no actor Alan Rickman, e com o seu novo cérebro avançado planeia a criação de uma utopia debaixo de água. Agora é objectivo dos três jovens a resolver este problema.
http://content8.flixster.com/question/47/48/79/4748794_std.jpg 
Fonte: Rotten Tomatoes
O conceito do filme é de facto criativo, e para um filme feito num país que não os Estados Unidos ou outro que tenha uma reputação alta na área na animação, este está bem produzido e polido nas arestas; a versão inglesa tem um elenco peculiar, com Alan Rickman como vilão (grande choque), membro dos Monty Python Terry Jones como o cientista maluco, e quer acreditem ou não este foi dos primeiros filmes protagonizados pela estrela da série Breaking Bad, Aaron Paul. Não, ele não é o miúdo do boné, mas sim o miúdo gordo que se transforma em alforreca.
What's up, bi-atch

À primeira vista não parece ser um filme mau, apenas uma tentativa de fazer um filme ao estilo Disney, no entanto tem um problema muito sério: é deprimente; não só é deprimente como também é perturbador para um filme destinado a crianças. É muito provável que Socorro, Sou um Peixe! tenha a morte mais macabra de um vilão que pode ser imaginável para um filme animado. Infelizmente uma outra cena mais à frente onde ocorre uma falsa morte puxa demasiado na sanidade dos mais novos.




Resumindo e concluindo, é uma experiência interessante para quem não tem nada para ver, contudo não é aconselhável para os mais novos; os adultos que guardam este filme no meio de uma prateleira com filmes de Stanley Kubrick.

#8 - A Espada Mágica (1998)

File:Quest for Camelot- Poster.jpgEra uma vez um estúdio notável pelo seu departamento de animação que entrém milhões de pessoas em todo o mundo durante mais de cinquenta anos. No final do século a Warner Bros. sugeriu a criação de um estúdio dedicado a longas-metragens de animação, e com o sucesso da Disney durante a chamada "Era Renascentista" resolveram entrar numa efémera corrida pelas audiências. A Espada Mágica foi um pé esquerdo que pisou um pântano muito fundo. Artigos referem como a produção deste filme foi devastadora para muitos animadores e produtores, chegando mesmo a planear o cancelamento do filme. Por algum motivo o filme conseguiu chegar aos cinemas, sendo este um dos primeiros filmes que eu vi do grande ecrã e, como era de esperar, foi um desastre crítico e financeiro. O filme estava planeado para estrear no natal de 1997 mas foi adiado para evitar competição com outros filmes familiares como Flubber, Anastásia e o relançamento d' A Pequena Sereia, no entanto a sua estreia em Maio do ano seguinte foi também uma péssima ideia devido à sua promoção fraca em comparação com Impacto Profundo e Godzilla de Roland Emmerich.
O filme tem um prólogo razoável, mencionando a importância da espada Excalibur e de quem a tirou da pedra onde estava presa, Artur, rei de Inglaterra; o pai de Kayley, a protagonista, foi membro da Távola Redonda, e um dia foi morto por um traidor do reino; o resto do prólogo consiste na tristeza de Kayley que, como é de esperar, tem zero pontos de carisma.
Os anos passam e num dia diferente dos outros a Excalubur é roubada por um grifo que trabalha para o responsável pela morte do pai da heroína: Gary Oldman.
File:GaryOldman-1.jpg
Eu não estou a gozar, Gary Oldman é o vilão do filme, e tal como qualquer vilão memorável, tem uma canção que se sobressai da mediocridade que este filme é.
Já agora, o nome do vilão não é "Borracha", falta um segundo "b" alí no meio.

Kayley consegue fugir e pelo caminho encontra-se com um escudeiro cego que vive numa floresta encantada, um falcão enviado por Merlin para procurar a espada roubada e que prova ser mais inteligente do que a maioria dos personagens do filme, e um dragão com duas cabeças com as vozes de Eric Idle (porque será que todos os membros dos Monty Python excepto John Cleese aparecem sempre em filmes maus quando estão a trabalhar sozinhos) e Don Rickles; na dobragem portuguesa o dragão é actuado por André Maia e José Raposo, ou seja, Timon e Pumba, respectivamente, que original.
Enfim, Kayley descobre que a Excalibur não foi roubada por completo pois o grifo de Ruben deixou-a cair no meio da floresta onde Garret o escudeiro cego vive, e estes cinco personagens têm de chegar primeiro a Camelot com a Excalibur antes de Ruben e o seu exército de mutantes que raptaram a mãe de Kayley entre outros aldeões para fazerem parte de uma armadilha.
Apesar de uma boa direcção artística que combina com o aspecto místico do folclore britânico, A Espada Mágica é melhor descrito como um filme da Disney a tentar não ser um filme da Disney; é previsível e ao mesmo tempo é confuso a explicar elementos da história, os personagens variam entre esquecíveis e irritantes ou até mesmo muito estúpidos no seu conceito (galinha-machado com a voz de Jaleel White, a.k.a. Sonic o Ouriço) e um humor pobre, com referências de outros filmes da Warner terrivelmente colocados, como por exemplo, a galinha-machado a citar a famosa frase de Dirty Harry no primeiro capítulo da série de filmes protagonizada por Clint Eastwood; é um filme repleto de clichés que vale a pena ver só para o gozo. Infelizmente, devido ao mau sucesso do filme a produção seguinte do estúdio, O Gigante de Ferro, realizado por Brad Bird, apesar das boas críticas não foi bem-sucedido nas bilheteiras, levando o projecto seguinte de Bird, Os Incríveis, para os estúdios da Pixar; este ano a Warner teve o contentamento de ter um sucesso de bilheteira com O Filme Lego e actualmente tem mais planos para futuros filmes animados, por isso nem tudo tem de ser mau quando não se tem sucesso.

 #7 - A Viagem Encantada (1992)

File:The Magic Voyage VideoCover.jpegOs alemães não sabem fazer bons filmes animados, isso é um facto; recorrer a um episódio da história da humanidade e transformá-la numa patetice pegada deve ter sido tarefa fácil para eles, não? Juntamente com um filme épico realizado por Ridley Scott e outro filme protagonizado por Marlon Brando, A Viagem Encantada comemora os quinhentos anos da descoberta da América, momento glorioso para uns, momento trágico para outros. Um certo estúdio alemão, para poder contar este episódio histórico para os mais novos, decidiu Disneyficá-la à sua maneira, e isso consiste na introdução de um personagem irrelevante: Pico, um bicho da madeira que parece tudo menos invertebrado. Durante esta viagem Colombo passa por cenas bizarras, tais como alucinações, sonhos em que se apaixona com a rainha de Espanha, motins e enforcamentos no seu navio (não eram três?), castores falantes e deuses em forma de enxames de vespas; entretanto, Pico tenta salvar a ninfa dos seus sonhos Marylin do Senhor dos Enxames, um demónio temido por indígenas de alguma parte do continente americano, porque os argumentistas não sabem ser específicos.À primeira vista esta história parece familiar, não?
  
O filme demonstra uma precisão histórica da viagem impecável, tal como quando Cristóvão Colombo puxou um telescópio do seu escroto enquanto vestia um fato amarelo com um chapéu à Napoleão Bonaparte. Entretenimento para todas as idades.
 
Este é dos filmes mais antigos que eu me lembro de ver em cassete, e sem explorar mais informação sobre o título em questão, tenho memórias de ouvir Cristóvão Colombo com a voz do responsável pela voz portuguesa do brasil do Pateta, que interessante; mais interessante ainda é o facto de o narrador na segunda dobragem inglesa (existe uma dobragem mais antiga que é raro encontrar uma cópia hoje em dia) é nada mais nada menos que Mickey Rooney. Jiminy Jillickers!O mais impressionaste facto sobre este filme é o seu orçamento: cerca de 14 milhões de dólares americanos, na altura era o filme animado mais caro produzido na Alemanha; pergunto a mim mesmo como será um filme animado de produção alemã com um orçamento maio- oh, espera...
Animais Unidos Jamais Serão Vencidos (2010) Poster
 

Estes animadores não sabem aprender com os seus erros.

 

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