
2014 está a acabar, e pode parecer que estou a comemorar o 50º aniversário das curtas-metragens animadas d'A Pantera Cor de Rosa muito tarde; na realidade foi no dia 18 de Dezembro de 1964, há cinquenta anos atrás, que o personagem teve a sua primeira curta-metragem The Pink Phink no grande ecrã, e decidi adiar este artigo o mais tarde possível para coincidir com a data. Na realidade não soube da data da estreia do filme até há dois dias atrás, por isso foi uma bela coincidência.
A minha apreciação pela Pantera Cor de Rosa veio do meu pai, que nasceu no mesmo ano em que a série faz a sua estreia, e tal como grande parte das séries animadas que via em miúdo, herdou essa sua paixão a mim, com as dezenas de cassetes de vídeo que temos guardadas em casa.
Eu não nenhum "expert" nos filmes de Blake Edwards, onde o personagem apareceu pela primeira vez, no entanto estes não são necessários para poder compreender o humor destas curtas-metragens pois estas tem pouca relação com os filmes protagonizados pelo Inspector Closeau.
Este Top 10 depende em três factores: a forma como a curta-metragem está conservada nos dias de hoje, o tipo de humor desta e a sua narrativa.
No título de cada episódio está uma ligação ao mesmo no YouTube, pois a Pantera Cor de Rosa tem um canal oficial que partilha todos os 124 episódios originais da série, publicados entre 1964 e 1980.
#10 - Pink Ice (1965)
Começamos a contagem decrescente com um dos dois filmes animados (sendo Sink Pink o outro filme) onde a Pantera Cor de Rosa fala, dublado - tal como os brasileiros dizem - pelo comediante Rich Little. Nesta história o protagonista trabalha na sua própria mina de diamantes no continente africano, e é constantemente roubado por dois exploradores britânicos chamados Deveraux and Hoskins; Rich Little também dá voz a estes dois personagens. A Pantera vinga-se com as artimanhas do costume: explosivos, canhões, ilusões ópticas, por aí em diante.
Apesar de não ser a curta-metragem mais divertida das 124 que existem, este filme tem sucesso em dar voz a um personagem praticamente mudo, no entanto Friz Freleng decidiu não voltar a utilizar actores de voz pois estes exigiam um ordenado imenso.
#9 - Pink Outs (1967)
Pink Outs é uma curta-metragem única na série, pois esta não possui nenhuma narrativa, em vez disso temos uma colecção de sketchs com gags surreais e até absurdos, tais como a Pantera Cor de Rosa a tomar banhos de sol dentro de uma ampulheta ou ela a comer o cenário, literalmente; os sketchs acabam com um fade out, uma técnica usada na produção de um filme em que faz-se uma transição entre a imagem e um fundo preto, só que neste caso, o fundo é sempre cor-de-rosa, daí o título Pink Outs.
Estes sketchs foram mais tarde utilizados como bumpers, pequenos intervalos dentro de um filme ou uma série de televisão, no programa The Pink Panther Show, transmitido pela NBC entre 1969 e 1980. Apenas o sketch do bunker não foi utilizado por motivos óbvios.
#8 - Pink Plasma (1975)
Este episódio é interessante pois utiliza a banda sonora usada em outro filme da Pantera Cor de Rosa chamado Pink Panic, produzido oito anos antes, cuja história passa-se numa cidade fantasma. Pink Plasma passa-se num castelo amaldiçoado, e por incrível que pareça, a música combina quase na perfeição com a história.
A Pantera Cor de Rosa está perdido na Transilvânia e anda à procura de um lugar para passar a noite; ela descobre um castelo onde mora um vampiro desajeitado, com um foço infestado com tubarões e um monstro invisível que adora usar sapatos dentro do castelo. O filme está repleto de gags assustadoramente divertidos, baseados em vários famosos clichés vindos de filmes de horror clássicos; vale a pena mencionar que a Pantera Cor de Rosa enterra a campa do vampiro, com ele lá dentro adormecido, e os ratos e as aranhas do castelo observam o "funeral" com um ar de espanto.
#7 - Pink DaVinci (1975)
É possível que Pink DaVinci seja uma das últimas grandes curtas-metragens da Pantera Cor de Rosa antes da transição do grande ecrã para a televisão. A História é completamente adulterada neste filme, onde a Pantera supostamente é a autora do famoso sorriso da Mona Lisa. Leonardo DaVinci prefere ver a sua obra-prima com um ar de desgosto e o protagonista tenta melhorar o quadro, apesar de o pintor não gostar da ideia. DaVinci é perseguido e tenta manter a sua visão do quadro até ao ponto de perder a cabeça e de ser preso por "inclinar" a Torre de Pisa. Tal como Pink Plasma, Pink DaVinci está cheio de gags brilhantes.
#6 - We Give Pink Stamps (1965)
O terceiro filme animado da série. Nesta curta, a Pantera vive dentro de um centro comercial, onde ela gosta de explorar as lojas quando estas estão fechadas e ninguém está por perto. Ninguém, excepto o Homenzinho, que aparece neste episódio como empregado do centro comercial. Vários gags vêm do nada, tais como o Homenzinho a pensar que um tapete de tigre está vivo, a Pantera com um buraco na barriga por passar a ferro em demasia, ou até mesmo o tapete de tigre a ganhar vida pois sentiu-se atraído pela Pantera.
#5 - Slink Pink (1969)
Neste filme, a Pantera decide entrar dentro de uma mansão para fugir ao frio de uma noite de Inverno, e é apenas dento da mansão que se apercebe que o dono desta é de um caçador com sucesso. O caçador tem um cão que é fiel ao seu dono, talvez fiel de mais. Esta curta-metragem é famosa pelo gag da Pantera disfarçada de animal empalhado, enganando o caçador; e por causa disso o cão leva sempre com as culpas, quer seja pela Pantera ter comido o jantar do caçador, quer seja por ele disparar uma espingarda ao dono pois este pensava que era a Pantera.
#4 - Dial "P" for Pink (1965)
Um ladrão tenta roubar um cofre, sem saber que este tem uma pantera guardada lá dentro. A história não podia ser mais simples to que esta, no entanto este está repleto de gags hilariantes, já para não falar na banda sonora do filme Um Tiro às Escuras, a sequela do primeiro filme da Pantera Cor de Rosa, que combina na perfeição com o ambiente sinistro e simultaneamente cómico.
#3 - Pink Panic (1967)
Este título é familiar? É porque tem a mesma banda sonora utilizada na curta-metragem Pink Plasma, produzida anos mais tarde. Desta vez a Pantera chega a uma cidade chamada Dead Dog, durante uma tempestade. O hotel da cidade está vazio, com apenas um fantasma e um esqueleto como anfitriões. Temos perseguições, duelos de pistolas, trambolhões e muito mais neste conto assustador. Para ser sincero quando eu era muito novo eu até ria de medo na parte em que a Pantera e o esqueleto dormem na cama juntos.
#2 - Extinct Pink (1969)
Por muito pouco eu não colocava este filme em primeiro lugar. Como o fanático por dinossauros que eu era, este filme era um favorito instantâneo. "Há muito tempo, quando a Terra era jovem... e esfomeada" pode dar a impressão que a história passa-se durante uma extinção em massa. A Pantera luta por um osso, supostamente uma fonte de alimento essencial para a vida pré-histórica, e luta contra uma versão Neandertal do Homenzinho, um dinossauro pequeno e um Tiranossaurus Toscus. A perseguição dura o episódio inteiro, mostrando a rica direcção artística dos cenários e dos figurantes (um crocodilo com a barriga cheia de criaturas que ainda não foram engolidas); a música deste filme não é baseada na banda sonora de Henry Mancini, e é composta por John Goodwin, que viria a trabalhar em outras produções dos estúdios DePattie-Freleng, anos mais tarde, e esta dá um efeito de adreinalina à perseguição de uma forma impecável. É brilhante.
#1 - The Pink Phink (1964)
No primeiro lugar da lista, porque não o primeiro dos 124 filmes? Toda a gente deve conhecer a história: o Homenzinho pinta a sua casa de azul enquanto a Pantera pinta por cima com uma cor do seu agrado. O filme, não só é divertido, não só é bem animado, como também é um marco histórico do cinema de animação; filme "transpira" a estética dos Anos 60, com cores sólidas, geometria simplificada e música apropriada, é uma obra de arte em movimento. Muitos críticos de cinema consideram a Pantera Cor de Rosa como "a última grande estrela animada de Hollywood" pela sua personalidade descontraída e pela sua estética própria, um conceito raro utilizado no cinema de animação, tanto no passado, como no presente e até no futuro. Vale a pena informar que, para além de ter ganho o Prémio da Academia de Melhor Curta Metragem de Animação, foi também o primeiro caso da história do cinema em que um estúdio ganha um prémio nessa categoria com o seu filme de estreia.
O que é que eu posso dizer mais? Vejam este filme as vezes que quiserem, que não deixa de ser uma pérola da imagem em movimento.
A Pantera Cor de Rosa aprova este artigo
Menções Cor-de-Rosa
-Bully for Pink (1965): A Pantera decide ser um toureiro e rouba a capa de um ilusionista, acabando por criar uma torada virada ao avesso; com uma simples mas vibrante apresentação com um contraste de cores quentes e frias, possivelmente uma das curtas-metragens mais espantosas a nível visual;
-Smile Pretty, Say Pink (1966): O Homenzinho decide tirar fotografias ao ar livre mas a Pantera faz tudo para ser o centro das atenções; o filme tem vários gags e um final chocante e até aterrorizador;
-Pink Posies (1967): A Pantera volta mais uma vez a maçar o Homenzinho, desta vez numa disputa entre flores amarelas e cor de rosas - como em The Pink Phink -, com perserguições frenéticas e ritmo acelerado;
-Sky Blue Pink (1968): É provável que esta seja a primeira curta-metragem da série que eu alguma vez vi, onde a Pantera tenta levantar voo a um papagaio de papel que deixa o Homenzinho enfurecido ao ponto de o perseguir com um avião de guerra;
-G.I. Pink (1968): A Pantera alista-se ao exército e o Homenzinho volta a ser vítima das suas asneiras; uma curta-metragem com violência animada da mais agressiva;
-Pink Sphinx (1968): No Egipto, A Pantera procura uma jóia perdida que vale uma fortuna incalculável, infelizmente o único companheiro de viagem que pôde arranjar foi um camelo preguiçoso e inútil;
-The Scarlet Pinkernel (1975): A Pantera decide tornar-se no Pimpinela Escarlate e atravessa a cidade para salvar cães que são perseguidos por apanhadores; como de costume nada corre bem para o personagem;










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