Quem conhece Cascais
deve achar este conceito fora do normal e completamente absurdo,
mesmo considerando o caminho que este governo e o Fundo Monetário
Internacional nos está levar, mas quem disse que isto era uma
previsão? Esta descrição de uma versão futurista da vila veio de
um sonho lúcido que eu tive numa noite passada, no início deste
mês, e achei o mais acertado fazer um artigo sobre esse preciso
sonho no dia 25 de Abril, Dia da Revolução dos Cravos. Os sonhos
lúcidos que eu tenho são na grande maioria edifícios vulgares com
estéticas confusas e abusivas, como se um cartoonista fizesse uma
versão caricata de um restaurante ou de um monumento; no caso do
Cascais distópico eram mais edifícios e até ruas. Por conseguinte
achei o mais acertado fazer rascunhos destes cenários para uma
melhor compreensão do contexto.
O dia começa e, tal como todas as pessoas que vão para a universidade, vêm o tempo a passar quando se arranjam e fazem as suas viagens por transportes públicos ou por outros meios; chego à estação e vejo pessoas, famílias com malas de viagem e com um aspecto neutro e todos eles mudos; fico sentado num banco à espera de um comboio e fico a olhar para o mar; apesar de já ter visto pelo menos umas duas vezes, continuava a não me aperceber que o edifício do CascaisVilla estava abandonado e degradado (eu culparia aqueles que não voltaram a reabrir o Castello Lopes).
Reparo numa mãe e em dois filhos que estavam a conversar, não me lembro do que estavam a falar mas mantinha-me entretido, até que me apercebi que a minha mochila tinha desaparecido. Alguém roubou a mochila, por isso comecei a correr até às portas para perguntar a alguém se tinha visto a minha mochila da Targus, vermelha e cinzenta (que por incrível que pareça esse modelo é muito usada por estudantes do IPL) e com fechos estragados. Mencionei também que o meu passe de comboio e cartão Multibanco estavam guardados lá dentro (apesar de nunca fazer tal coisa) e um dos guardas reagiu, afirmando que quem não tem passe no lado das portas da estação tinha que sair de imediato, caso contrário levaria uma multa de duzentos Euros. Ao sair da linha olho para o comboio que tinha acabado de chegar e que eu viria a apanhar, só que ao contrário dos comboios que se apanham nas linhas de Cascais e de Sintra, este era um comboio de mercadorias.
Estação de Cascais
O dia começa e, tal como todas as pessoas que vão para a universidade, vêm o tempo a passar quando se arranjam e fazem as suas viagens por transportes públicos ou por outros meios; chego à estação e vejo pessoas, famílias com malas de viagem e com um aspecto neutro e todos eles mudos; fico sentado num banco à espera de um comboio e fico a olhar para o mar; apesar de já ter visto pelo menos umas duas vezes, continuava a não me aperceber que o edifício do CascaisVilla estava abandonado e degradado (eu culparia aqueles que não voltaram a reabrir o Castello Lopes).
Reparo numa mãe e em dois filhos que estavam a conversar, não me lembro do que estavam a falar mas mantinha-me entretido, até que me apercebi que a minha mochila tinha desaparecido. Alguém roubou a mochila, por isso comecei a correr até às portas para perguntar a alguém se tinha visto a minha mochila da Targus, vermelha e cinzenta (que por incrível que pareça esse modelo é muito usada por estudantes do IPL) e com fechos estragados. Mencionei também que o meu passe de comboio e cartão Multibanco estavam guardados lá dentro (apesar de nunca fazer tal coisa) e um dos guardas reagiu, afirmando que quem não tem passe no lado das portas da estação tinha que sair de imediato, caso contrário levaria uma multa de duzentos Euros. Ao sair da linha olho para o comboio que tinha acabado de chegar e que eu viria a apanhar, só que ao contrário dos comboios que se apanham nas linhas de Cascais e de Sintra, este era um comboio de mercadorias.
Avenida Valbom
Eu saio da estação e
reparo que o dia amanheceu depressa só que o céu estava nublado. Ao
pé do edifício da Geração C está um pequeno grupo de pessoas da
minha idade a protestarem por alguma razão pois de momento eu estava
com ouvidos duros. Eu desço a Avenida Valbom e parei à frente da
vitrina de uma loja, aliás, de uma casa. Num pequeno espaço via uma
cama de casal com um monte incalculável de roupa amachucada e
encostada na vitrina, sobre uma mesa havia uma televisão pequena e
um leitor de DVD e um armário que ocupava grande parte da parede.
Tal como as entradas de uma loja, a porta era de vidro estava aberta,
e com as luzes de tecto ligadas podia-se dizer que alguém estava a
viver nesta loja abandonada que foi transformada em casa. Eu abro a
porta lentamente e pergunto: “Está aqui alguém?” De repente sai
da cama um miúdo, muito novo, com uns oito ou nove anos, e grita à
minha frente “Vai-te embora ò labrego, a minha mãe não está cá
para fazer-te favores!”; com essa ameaça pus-me a andar.
Museu do Mar?
Por incrível que pareça
quanto mais eu andava a Avenida Valbom ficava gradualmente a
transformar-se no interior de um centro comercial moderno; no meio da
calçada existia uma escada rolante que me levava a um andar
inferior, sim, um andar de um centro comercial debaixo de terra, e
deparo com um pequeno aglomerado de restaurantes prontos para abrirem
as portas aos clientes; não me lembro de nenhum nome desses
restaurantes excepto a Portugália; quem já visitou a Marinha de
Cascais ou o Cascaishopping deve conhecer esse restaurante pois este
destaca-se pela sua decoração inspirada em azulejos holandeses e os
seus aquários cheios de sargos (lembro-me de também ver uma
pata-roxa no da Marinha), como também os seus menus deliciosos
típicos de cervejaria. A Portugália que eu encontrei era um
restaurante de fast food com empregadas feias e menus com hambúrgueres
com aspecto repugnante. Pus-me logo a andar.
De repente deparo-me com
uma zona chamada “Museu do Mar”. Porque é que um dos museus mais
famosos da vila foi parar a um centro comercial? Eu não sabia o que
aconteceu com o Museu do Mar no passado mas eu fiquei completamente
revoltado com o que via. O Museu do Mar não passava de uma casa de
banho gigante com bonecos de plástico de animais marinhos e
fotografias desses que podiam ser procuradas de imediato no Google.
Mulheres idosas olhavam para essas imagens com interesse e havia uma
fonte minúscula no meio do “museu”; no meio dessa fonte havia
uma estátua de uma foca bebé feita de plástico. De um momento para
o outro a cabeça da foca partiu-se sozinha e gradualmente a pequena
fonte começou a transbordar como se tratasse de uma fuga num cano.
O sonho acaba comigo a
olhar para o museu cheio de água no chão de azulejos.
De vez em quando penso
neste sonho conscientemente e tenho imaginar o aspecto mais realista
deste cenário. Como eu já disse antes é muito improvável tal
coisa acontecer pois Cascais é um concelho rico em monumentos e
cultura, diversos festivais durante o ano inteiro e um forte ponto
turístico, mas fico com interesse em aprofundar tal cenário num
projecto meu, num futuro distante, mas por agora festejo quarenta
anos de democracia, liberdade é apenas condicional, mas Portugal
continua a ser um país longe da anarquia e que assim seja nestes
próximos anos, enquanto eu e os meus descendentes estiverem vivos.




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