É cada vez mais vulgar comemorar o centenário de um certo desenho animado reconhecido como um marco histórico da animação e do cinema em geral, e esta curta-metragem não é excepção. Gertie a Dinossaura teve a sua estreia a 8 de Fevereiro de 1914 (segundo o artigo da Wikipédia) como uma cena do vaudeville de Winsor McCay, que também foi autor do personagem Little Nemo e das suas aventuras imaginárias; Gertie a Dinossaura era basicamente um acto de circo em forma de desenho animado onde o domador (McCay) ordena ao dinossauro em fazer certas acrobacias, vénias e engolir uma coisa ou duas, mas uma vez distraída a Gertie não respeita o seu próprio domador e faz algumas traquinices, tais como incomodar um mamute e até atirá-lo a um lago; o filme acaba com Gertie a transportar com o seu pequeno domador às costas.
O sucesso do filme animado de oito minutos fez com que fosse criado uma versão mais alargada de doze minutos lançada para o cinema meses mais tarde; os quatro minutos extra formam um prólogo onde McCay e alguns dos seus amigos que trabalham no ramo da animação encontram-se no Museu Americano de História Natural e durante um jantar organizado por McCay, este afirma que consegue dar vida a um dinossauro, e de seguida o desenho animado original começa.
Gertie a Dinossaura é até à data o filme animado de Winsor McCay mais completo e em melhor estado, com apenas 400 desenhos sobre papel de arroz que sobreviveram com o passar dos anos. Em 1921 Winsor McCay tinha uma sequela em desenvolvimento mas nunca foi concluído, felizmente fragmentos do filme sobreviveram e que podem ser vistos no artigo de Gertie a Dinossaura na Wikipédia.
Como se trata de um filme de 1914, é óbvio que eu não vou ser muito crítico em termos técnicos, pois muitos desenhos foram destruídos e trabalhar com papel de arroz dá muito trabalho. Eu apenas posso elogiar a curta-metragem por ser um filme muito avançado para a altura, e por dois motivos: é o primeiro filme animado com um protagonista com uma personalidade que muitos desenhos animados do início da Idade de Ouro da Animação viriam a copiar; o outro motivo é a forma como Winsor McCay quase contradiz o ponto de vista da comunidade científica em relação aos dinossauros, que eram vistos como animais estúpidos desprovidos de cérebro na altura, enquanto nesta curta-metragem o animal é domado, curioso e brincalhão, a personalidade de um anmal de estimação num corpo de um réptil pré-histórico pode simultâneamente uma ideia louca ou uma ideia que pode ser posta à prova. O próximo filme da Pixar utiliza um contexto semelhante onde é utilizado o clássico cliché do ser humano que coexiste com dinossauros, e pensando que a Pixar é na grande maioria das vezes excelente a fazer grandes filmes baseados em simples ideias, talvez possamos ver uma certa homenagem a Gertie.
Com tudo dito, revelo este retrato deste personagem feito a caneta de ponta 0.4.
Facto engraçado: inicialmente o pescoço não fazia parte do desenho, mas depois de um colega da universidade ter perguntado a gozar "quem é esse, o Sapo Cocas?" achei melhor acrescentar o pescoço para que ninguém ficasse a pensar que eu tinha desenhado uma rã ou um sapo.


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