sexta-feira, 18 de março de 2016

Monstra 2016: pelicanos à solta no São Jorge

Imagem: Monstra

Mais uma vez, isto é prova da minha procrastinação; em vez de escrever sobre o assunto um dia depois de ter concluído o meu trabalho, falo nele aqui no blogue no dia em que vou de férias durante uma semana.
Enfim, durante menos de um mês estive envolvido no festival Monstra deste ano. No início de Janeiro o Facebook oficial do festival lançou a notícia de estar à procura de voluntários para a edição deste ano que ocorreu entre os dias 3 e 13 de Março. No início estive indeciso na escolha dos grupos, mas no dia em que nos encontrámos no Liceu Camões em Picoas, optei pela equipa de legendagem e dos workshops. 
Mais tarde fui ao pequeno escritório da Monstra no Bairro Alto conhecer a equipa de legendagem e a sua ferramenta. O meu objectivo foi planear e organizar as legendas, já traduzidas por outra pessoa, com um programa concebido por um membro do grupo, com o nome "O Programa do Rui". Infelizmente para mim o programa é muito instável e só funciona com dois ecrãs ligados em simultâneo, pois este abre uma segunda janela para pré-visualização que requer um segundo monitor. Por causa disso não pude levar o trabalho para casa e tive que ir ao Bairro Alto uma ou duas vezes para avançar no meu trabalho. Felizmente, seis das sete curtas-metragens foram organizadas num só dia. Outro contratempo que tive foi o facto de a equipa dos workshops estarem cheios de voluntários, e por causa disso acabei por ficar na loja na parte da manhã em vários dias.
O festival começou quinta-feira, dia 3, mas nesse dia estive a concluir e a treinar a legendagem dentro do Cinema São Jorge, pois alguns portáteis e monitores do escritório foram transferidos para uma pequena salinha no rés-do-chão. Sábado, dia 5, foi o meu primeiro dia na loja. Correu bem, e consegui vender algum merchandise Infelizmente para mim, o meu primeiro cargo na loja foi o de levar para o Cinema Ideal os boletins de voto para o júri que viu a sessão da manhã nesse dia; estive meio perdido, mas consegui chegar ao Cinema Ideal a tempo. Depois do meu turno ter acabado, aproveitei o meu cargo de voluntário para ver algumas sessões no São Jorge; nesse dia foi Minúsculos: O Vale das Formigas, e foi dos filmes animados mais divertidos que eu vi nos últimos anos.
Fotografia: Monstra
Os dias de semana foram o caos; a loja partilha o mesmo balcão com a recepção e, quando não existem clientes na loja, há sempre pessoas de vários sítios a pedirem alguma coisa no outro lado do balcão, quer sejam as acreditações, a bilheteira, indicações para as salas e por aí em diante. Com isso tudo há quem ficasse sozinho durante uma hora ou duas e cometesse algumas gafes. Para mim foi um enorme alívio ficar na salinha a treinar as curtas-metragens na parte da tarde, pois este era um trabalho mais suave. Nos dias 7 e 9 à tarde fui responsável pela legendagem nas sessões da Competição Estudantes, na Sala Manoel de Oliveira. Tive a oportunidade de estar dentro da sala de projecção e, sentado na minha cadeira, parecia estar dentro de um submarino da 2ª Guerra Mundial. As duas sessões correram bem, apesar de ter tido um lapso e de ter mudado a legenda involuntariamente em uma das sessões, mas soube resolver o assunto em pouquíssimo tempo.
Quarta, dia 9, foi o dia mais esperado: a masterclass do grande Bill Plympton. Tal como as sessões de filmes, também tive acesso aos workshops e masterclasses presentes no festival, mas apenas o de Plympton me chamou a atenção. Toda a apresentação foi espectacular, com o homem a mostrar algumas das suas curtas-metragens e a falar sobre a sua carreira e sugestões para aqueles que querem trabalhar no ramo da animação, já para não falar no facto de ele ser a pessoa mais simpática do mundo. No final da sessão comprei um DVD com as curtas de Plympton que, apesar de ter sido um pouco carote, era importado e foi autografado pelo criador, juntamente com dois postais e o DVD d' A Melodia de Plympton.
Ah sim, e também falei sobre o episódio do Lupo o Carniceiro. Plympton, para além de ter elogiado a minha atenção a detalhes, explicou que em 1987 viu a curta-metragem em Annecy a tornou-se amigo do realizador, Danny Antonucci. Durante a produção d´A Melodia, Bill perguntou a Danny se podia utilizar o personagem no filme e Danny respondeu: "Fixe! Força nisso!" É um homem brilhante.


O meu último dia, 12 de Março, foi em grande. Inicialmente era para estar no meu turno da manhã e voltar para casa de seguida, mas depois optei por ficar para ver a sessão do lançamento do DVD da Monstra, e mais tarde convidaram-me para ir ao Cais do Sodré à noite para o after-party. Eu adorava ficar na festa mas não queria perder o comboio para voltar para Cascais, e também porque não me dou bem com directas. No dia seguinte esqueci-me que a minha irmã mais velha vive em Campo de Ourique e que podia dormir em casa dela naquela noite. Oops. Para além disso tirei fotografias com um rapaz disfarçado de Pelicas, a mascote do Montepio para os mais novos, e também estive a fazer stop-motion num workshop organizado por freelancers na área.

Apesar das gafes e das confusões, o Monstra foi uma experiência muito divertida; para além de Plympton, conheci outras pessoas do ramo como Ivan Maximov e Steven Woloshen, como também gente nova como Grant Kolton, que ganhou o prémio Melhor Curtíssima Internacional, já para não falar das pessoas do staff e voluntários. Espero poder voltar para o ano, mas irei concentrar-me na legendagem que é mais a minha onda.

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