sábado, 9 de janeiro de 2016

Roy Batty


Dá para acreditar que, algures no mundo, o andróide NEXUS-6 N6MAA10816, também conhecido por Roy Batty, acabou de nascer, no dia 8 de Janeiro de 2016. Isto é, se os eventos de Blade Runner se tornarem realidade. Quem já viu o filme de Ridley Scott, ou pelo menos a história original de Philip K. Dick, deve reconhecer a famosa imagem do cinema que eu recriei no Blender; até inclui o logotipo da TDK, tal e qual como no filme. Estive horas a fazer alterações nos efeitos de chuva e de pós-produção. Inicialmente era para fazer uma silhueta em duas dimensões de Roy Batty, com o sangue a cair da testa e os olhos a brilhar, mas a silhueta ficou muito mal misturado com o cenário. Criei um modelo em três dimensões da cabeça e dos ombros do personagem de Rutger Hauer a partir de referências fotográficas e, para ser sincero, ficou espectacular. Apesar de ter poucos polígonos, acabou por ser a melhor cara humana que construí numa ferramenta de modelagem em 3D até hoje.
A gravação do vídeo demorou cerca de meia hora, o que pode ser demasiado para uma imagem animada de cinco segundos, mas o que torna este processo demorado foi o efeito de chuva que eu criei: em vez de riscos a fazer de gotas de chuva, caem do céu pequenas esferas; acrescentei um filtro chamado "desfoque de vector", que faz com que cada uma das esferas se repete na mesma imagem em posições ligeiramente diferentes; como podem reparar em baixo, a mesma gota repete-se vinte vezes para dar o efeito de gravidade e de chuvada. Recorri a vinte amostras por imagem, dando um aspecto mais suave, e por isso demorou vinte vezes mais tempo do que sem o desfoque de vector.


Depois de gravado o vídeo, abri-o no Premiere para corrigir a cor e dar algum contraste para condizer com as cores da cena do monólogo "Lágrimas na Chuva". As texturas do boneco de Roy Batty são muito simples, no entanto ficaram muito bem na atmosfera chuvosa, graças ao brilho que eu adicionei para dar-lhe um aspecto encharcado.
Concluindo, eu gostei imenso de fazer este pequeno desafio meu. Faz-me pensar no grande legado que o filme Blade Runner nos deu em termos de composição de imagem e de atmosfera, algo que podemos agradecer ao realizador Ridley Scott.

Ele vê coisas que não nos passa pelas nossas cabeças.

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