terça-feira, 24 de novembro de 2015

Oh, como eu gosto ser um tipo simples

Eu cresci a não gostar de usar um blog para escrever comentários e/ou opiniões, coisa que é normal acontecer em blogs, nomeadamente nos políticos. Quanto a esse tema também admito ser um autêntico puritano, apesar de ter sido exposto a programas de televisão inspirados na política desde miúdo, como o Contra-Informação, só que apenas ligava às paródias dos bonecos em vez da própria política. Este é um caso especial porque hoje o nosso belo presidente Aníbal Cavaco Silva, com o seu toque divino de faraó (e de múmia, também), indigita António Costa para primeiro-ministro, passadas duas semanas desde o dia em que o governo de Pedro Passos Coelho caiu na assembleia.
A minha opinião em relação a esta notícia? Bom para o Costa e o seu partido. A minha reacção em relação à reacção de toda a gente? Histérica. Comentários superficiais por aqui e por ali a insultar tanto o Costa e como o Cavaco. E o que é que estavam à espera? Do ponto de vista de Cavaco era de esperar que convocasse o governo de Costa porque se optasse por outro governo de gestão a sua reputação atingiria um novo recorde, podendo até ultrapassar o de Dilma Rousseff, e considerando que existe neste país gente louca o suficiente para cometer um "Cavaquicídio", roubando a frase dos do Eixo do Mal (porque direitos de autor não existem neste mundo), esta escolha foi de facto egoísta da parte do Presidente da República, tal como foi egoísta da parte de Costa. Até o Passos Coelho defendeu a indigitação de Costa porque dentro da sua cabeça ele faz figas para que o novo governo faça porcaria e que haja novas eleições. Até parece que quem critica esta história toda é um santo que adora oferecer presentes a toda a gente, como um São Nicolau verdadeiro. Temos de facto santos por todo o mundo: os do BES, o Daesh, os produtores de Hollywood, as Kardashians, todos eles são santos, só que apenas no seus pequenos mundos. Toda a gente é egoísta, sem excepção, ponto final.
As pessoas, não só são egoístas como também são sádicas, como adoram fazer troça dos seus inimigos. Eu, como não tenho inimigos, gosto de fazer troça de ambos os lados do espectro ao fazer montagens à la Inimigo Público.
Montagem feita em Novembro de 2014, altura em que Pires de Lima deitou a casa abaixo com o seu humor inspirado em Larry David.

 Esta foi feita logo no dia 10 de Novembro, assim que soube que o governo de Passos caiu. Demorei três horas a fazer este aqui porque o Photoshop bloqueava-se facilmente no meu computador anterior. Gostei da forma como a fotografia genérica de uma rosa ficou nas luvas de Bruce Wayne.

Este aqui foi feito hoje à tarde, mais uma vez logo quando foi lançada a notícia, no entanto foi mais inspirado nos eventos de ontem quando Cavaco deu a Costa os Dez Manda- quero dizer, as Seis Exigências.

Dá para ver como as minhas capacidades no Photoshop evoluiram no espaço de um ano. Talvez devesse enviar uma carta às Produções Fictícias para ver se precisam de um novo homem de montagens.
Enfim, As pessoas adoram fazer alarido porque são demasiado conservadores para o seu próprio bem, e é assim como o mundo continua a ter problemas a nível político, religioso e social. Eu fico no meu lugar a observar a miséria causada pelos outros.
Eu até cresci a gostar da política com a idade, apesar destas críticas. Sim, o Passos é um sonso e o Portas um mafarrico, o Costa é um traquinas e a Catarina Martins fala um pouco demais, mas nem tudo é balelas para mim; fui a uma Festa do Avante e gostei do ambiente, fico com pena do Manuel Alegre ter perdido as eleições presidenciais de 2005 porque no PS toda a gente adora apunhalar as costas dos outros, e o mesmo pode vir a acontecer este ano, por muito que eu goste de gozar com o Cavaco achei que foi injustamente criticado a sua ida às Selvagens e quem diz que o presidente foi lá para passar férias considera-se Besta Honorária da Opinião Insolente (ou B.H.O.I), eu voto no Pacheco Pereira de imediato se alguma vez anunciar que vai participar numa corrida ao Palácio de Belém...
As coisas aqui em casa são diversas em termos de política; a minha mãe apoia o PS desde sempre, o meu pai despreza o PS mas prefere ter um governo do Costa a ter mais quatro anos de coelhos a tirarem cartolas e o meu avô venera Álvaro Cunhal como Deus. O meu pai, que foi quem mais me influenciou a gostar de política, não tem partido preferido e em todas as eleições vota no partido que pretende votar, o que acaba de ser a minha via para todas as eleições futuras. Se os meus pais ficam felizes com Costa como primeiro-ministro, isso deixa-me feliz e não tenho razão de me desculpar por não gostar disto ou aquilo. Ser simples é bom.
Vá, agora podem passar o resto do dia a olhar para fotografias de gatinhos ou do Bruno de Carvalho de tanga a mostrar os seus bíceps à frente da câmara.

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