quarta-feira, 20 de maio de 2015

Murar o Medo: Exposição de Arte das Conferências do Estoril 2015

Oh sim, estou de volta, e isso quer dizer que tenho novidades e das grandes. Hoje (ou ontem, dependendo do fuso horário) dia 19 de Maio foi inaugurada as Conferências do Estoril 2015 e com ela a exposição Murar o Medo. Porque é que isto é importante? A resposta é simples: eu sou um dos artistas em destaque.
A inscrição começou em Janeiro mas só em Março é que o trabalho começou. Tive apenas duas sessões com Paulo Brighenti, artista plástico e membro da Cidadela Art District, um grupo de artistas com workshops localizados na Cidadela, em Cascais, entre eles artistas como Joana Arez e Paulo Arraiano, que também fizeram parte da expoisção. Para o tema do trabalho, baseado no discurso do escritor Mia Couto para uma edição passada das Conferências do Estoril, Paulo Brighenti quis ver o resultado final como algo que eu e o resto do meu grupo não fossemos capazes de "controlar os nossos medos"; recorremos ao desenho cego e utilizámos espelhos sujos com tinta acrílico e o reflexo das nossas caras como referências. Os materiais de pintura eram precários, como ramos e folhas, que contribuíam na ideia de não conseguir ter controlo total da composição. Cerca de metade dos trabalhos de cada membro do grupo foram concebidos com tinta-da-china e a outra metade com carvão, e houve até mistura de materiais. Vale a pena mencionar o uso de mensagens subliminares em algumas das minhas composições. Conseguem descobri-los?
Depois de um mês de espera, os trabalhos foram montados e finalmente esta manhã o resultado final foi exposto na entrada do Centro de Congressos do Estoril, local da realização das Conferências do Estoril. Cada grupo possui uma parede para exibir os seus quadros, desenhos, fotografias e mais, aproveitando os dois lados destes. Neste artigo apenas coloco duas fotografias da parede do meu grupo e  outras mais detalhadas dos meus trabalhos, não só porque gosto de me gabar, mas também para não revelar toda a exposição na internet e para motivar os leitores de visitarem a exposição.

Começo a galeria com o lado de dentro da nossa parede.

Os nossos nomes.

As composições do lado de dentro, começando com Maquilhagem...

Violado

Monstro

..e Na Dúvida

Damos a volta e olhamos para o lado de fora da nossa parede...
 

...e nesse lado vemos Arpão...

 Embrião
 

 Imbecil

...e um dos que gostei mais de fazer, Seduzido.

 Um nono desenho com o nome de Governo não foi exposto por este ter sido um desenho mais "seguro" quando esse foi criado, criando um resultado menos extravagante e pouco apelativo ao tema da exposição.
As reacções do meu trabalho no atelier foi notável; Paulo Brighenti considerou alguns dos meus desenhos "agressivos" e "selvagens", enquanto os repórteres do site oficial da Câmara Municipal de Cascais mencionaram o meu trabalho como "o mais destacável do grupo". Para ser sincero esses elogios fizeram-me sentir um bocado mal pelos meus outros colegas, pois alguns deles ainda andam no secundário e por isso a sua cultura visual continua em desenvolvimento, e duas colegas minhas, estudantes de Gestão e Direito em Lisboa, experimentaram este tipo de projecto pela primeira vez e achei os seus trabalhos interessantes, considerando o facto de elas não serem do género do pincel e da espátula. As reacções iniciais da exposição também foram muito satisfatórias, nomeadamente o facto de uma das minhas colegas ter afirmado ser "o melhor trabalho do grupo", e de ter alguns jovens impressionados com alguns dos meus desenhos, nomeadamente o "Violado". Cheguei mesmo a explicar a algumas pessoas confusas o significado das nossas composições de forma a poder vê-los num contexto mais específico.
A exposição foi oficialmente inaugurada com o lançamento da nossa entrevista, que está agora disponível no site da Câmara de Cascais, como também no seu canal do YouTube.


Uma segunda entrevista foi feita (apesar dos repórteres desta não terem sabido da anterior) esta tarde, em um dos intervalos das Conferências. Infelizmente tenho o terrível hábito de soar monocórdico e de estar sempre com os olhos fechados à frente das câmaras.


Mas este dia não foi dedicado apenas a esta exposição, de todo. Depois da exposição Murar o Medo, tivemos o prazer de ouvir o discurso de abertura das Conferências pelo presidente da câmara Carlos Carreiras (que sem querer confunde o feito de Martinho Lutero com o de Martin Luther King Jr., apesar de ele não ter culpa pois o nome de Martinho Lutero traduz-se em inglês para Martin Luther), seguido de uma bela sessão com o antigo presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta, uma palestra sobre a educação e a forma como influencia o desemprego, outra sobre as redes sociais e o seu impacto, mais outra sobre empreendedorismo e para acabar uma homenagem a aqueles que trabalharam na Youth Summor, a Cimeira da Juventude, outro projecto das Conferências, resultado do Youth BootCamp realizado na Fundação O Século onde trabalham e criam debates sobre questões da globalização e outros problemas.
A exposição Murar o Medo e as Conferências do Estoril são acessíveis ao público até sexta-feira dia 22 de Maio. Não percam esta oportunidade para ver mais um trabalho em exposição.

Para mais informação:

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